Os idosos constituem o segmento populacional que atualmente mais aumenta em número, sendo nos Estado Unidos cerca de 11% da população.
Nas décadas de 50 e 60 trabalhou-se bastante na prevenção da febre reumática, então importante causa de cardiopatia, principalmente em jovens, com manifestações clínicas de doença cardíaca geralmente em idade adulta. Graças às medidas profiláticas a incidência dessa cardiopatia diminuiu muito, mesmo em países com precário atendimento à saúde, como ocorre no Brasil. A partir dessa época, intensificaram-se estudos para a prevenção da aterosclerose, principal causa de invalidez, internações, aposentadorias e óbitos nos países desenvolvidos. Poucos estudos, contudo, têm sido realizados com idosos, apesar da doença aterosclerótica ser responsável por 50% dos óbitos nas pessoas com mais de 65 anos de idade. Persiste até, para alguns médicos, o conceito de que os fatores de risco cardiovasculares (hipertensão arterial, dislipidemias, diabete, tabagismo, obesidade, sedentarismo), não se aplicam aos idosos. Os fatores de risco levam a complicações cardiovasculares nos idosos na mesma forma que em mais jovens, e as medidas preventivas nesse subgrupo são efetivas para evitar ou diminuir a progressão da aterosclerose.
Cerca de 50% dos idosos têm hipertensão arterial, frequentemente com aumento da pressão máxima (sistólica), isoladamente, estando associada com distúrbios cardiovasculares, principalmente circulação cerebral. É erro considerar normal pressão sistólica elevada no idoso e deve-se mantê-la nos níveis estabelecidos como normais de acordo com a idade.
Existem grandes estudos que demonstram que níveis elevados de colesterol e triglicerídeos aumentam o risco da doença coronária no idoso. O diabete tem importante relação com a mortalidade nessa faixa etária, em maiores proporções na mulher.
Embora o tabagismo seja pequeno no idoso, a expectativa de sobrevida e qualidade de vida aumentam naqueles que deixam de fumar, salientando-se que a adesão aos programas de suspensão do tabagismo é maior no idosos.
A obesidade é fator de risco também para o idoso, chamando-se a atenção para o fato de que a distribuição da adiposidade na região cintura-quadril, em ambos os sexos, associa-se a alterações de lipídios e de insulina, aumentando a incidência e gravidade da doença coronária.
Os benefícios da atividade física são os mesmos com o avançar da idade. Deve-se estimulá-la auxiliando o idoso que cede à comodidade do sedentarismo, principalmente se houver obesidade, limitações físicas próprias do envelhecimento ou estados depressivos.
As dificuldades para a avaliação da doença, ou sua graduação, decorrem muitas vezes do próprio paciente. As alterações das funções orgânicas provocadas pelo envelhecimento são responsáveis pela redução da capacidade física, mesmo na ausência de doença, ou produzindo sintomas atípicos em alguns pacientes. A marginalização social (mesmo familiar), provoca reações psicoemocionais, estados depressivos, dificuldades econômicas e ausência de diálogo, dificultando a coleta e a interpretação dos dados clínicos. Em decorrência, pode o médico sub ou supervalorizar sintomas, atribuindo à doença limitações próprias da velhice, ou responsabilizar a velhice por sintomas provocados pela doença.
- PAULO FRANCO DE OLIVEIRA é cardiologista do Hospital do Coração, em Curitiba

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