Idosos no mercado de trabalho
Os idosos brasileiros estão adiando a saída do mercado de trabalho. É o que apontou um levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O movimento é um reflexo do envelhecimento da população e também sinal de uma mudança comportamental, considerando o desejo e a necessidade de ficar mais tempo no mercado de trabalho.
Segundo o Ipea, os trabalhadores mais idosos correspondem ao grupo com menor participação no total da ocupação no País. Mas o estudo mostrou que esse porcentual vem crescendo ao longo do tempo, passando de 6,3% em 2012, quando começa a série da Pnad Contínua, para 7,8% em 2018.
Além da disposição das pessoas com mais de 60 anos continuarem trabalhando, contribui para esse quadro o interesse de empresas em abrir vagas para essa faixa etária. Uma mostra de que a experiência profissional e de vida também é um requisito valorizado pelos empregadores.
A pesquisa do Ipea traz mais dados que confirmam essa tendência. No primeiro trimestre de 2012, 20% dos idosos ocupados que perderam sua colocação no mercado de trabalho decidiram migrar para a inatividade, enquanto que no mesmo período de 2018 esse porcentual caiu para 16%. Ao mesmo tempo, no primeiro trimestre de 2012, 48% dos idosos que estavam desempregados resolveram aderir à inatividade, ao passo que, em 2018, essa fatia recuou para 40%.
Outra informação importante revelada pelo estudo é o perfil dos trabalhadores com mais de 60 anos: 46% moravam no Sudeste, 56% eram mulheres e 63% se declararam como chefes de família. A maioria (45%) trabalhava por conta própria, revelando o lado empreendedor dos mais velhos. Pesquisas já mostraram que a ocupação profissional tem aspectos positivos para um envelhecimento saudável e ativo. Por isso, a importância das empresas e organizações incluírem as pessoas com mais de 55 anos em seu corpo de funcionários. Valorizar as diferenças e a experiência pode ser um bom negócio.





