O grande número de idosos seriamente endividados por conta de empréstimos consignados levou o Conselho Estadual do Idoso a lançar uma campanha de conscientização sobre o problema. Em razão da dívida, que cresce a todo instante, muitos aposentados ficam sem condições de sobrevivência e esse período da vida, que deveria ser de tranquilidade, acaba se transformando em um pesadelo.
  Reportagem publicada hoje na FOLHA mostra índices que assustam. Nas quatro cidades que concentram o maior número de abusos contra idosos relatados através do serviço Disque Idoso, da Secretaria Estadual de Justiça (Seju), dados revelam que as acusações de abuso financeiro lideram as denúncias. De janeiro a setembro deste ano, foram registrados em Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu 207 relatos de abuso financeiro contra 204 de agressões verbais e psicológicas. Esse número deve ser maior, pois muita gente deixa de denunciar.
  A campanha lançada pelo Conselho Estadual do Idoso é um passo importante na tentativa de conscientizar os aposentados a ficarem de olho nas ofertas e contratos que as financiadoras oferecem. Sabe-se que essas empresas fazem de tudo para convencer o pessoal da terceira idade a pegar dinheiro emprestado. É revoltante descobrir os subterfúgios que muitas empresas utilizam para atrair o aposentado e mantê-los presos aos contratos.
  A estratégia é mostrada pela reportagem a partir dos relatos de uma ex-funcionária de financiadora. Ela conta que os pensionistas são convencidos a optar pelo maior prazo de pagamento (60 meses) e as empresas atrapalham como podem a quitação da dívida.
  Antes de optar por qualquer tipo de empréstimo, o ideal é que os pensionistas procurem ajuda e orientação no Procon, que dá prioridade para atender os aposentados com esse tipo de dúvida.
  Vale lembrar que só campanhas realizadas por conselhos e outros tipos de organizações não-governamentais são insuficientes. É preciso que o poder público fiscalize melhor a atuação das financiadoras. A aprovação de um Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional pode provocar uma mudança importante nesse cenário.
  Elaborada por uma comissão de juristas encarregados de atualizar o Código de Defesa do Consumidor, a proposta visa aumentar a regulação do crédito a pessoas físicas e prevenir o endividamento excessivo. Se aprovado, o valor das parcelas dos empréstimos não poderá comprometer mais que 30% da renda líquida do consumidor.
  Outra alteração importante é que a pessoa terá o direito de desistir do empréstimo dentro de sete dias após a assinatura do contrato. Essas mudanças são importantes e urgentes.

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