A má qualidade de vida dos idosos brasileiros é uma realidade que pode ser observada diariamente. Deficiências sérias no sistema de saúde, falta de acessibilidade e de mobilidade tanto nas cidades como na zona rural, a crescente violência e um sistema previdenciário em xeque são alguns dos problemas enfrentados por esse grupo da população. No entanto, é urgente o desenvolvimento de políticas públicas que priorizem os idosos.
Reportagem de hoje discute o crescimento da "quarta idade" – termo já utilizado para descrever a população com 80 anos ou mais. A expectativa de vida tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas, passando de 68,6 anos em 2000 para 74,9 em 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o bônus demográfico (período em que o contingente de trabalhadores cresce mais depressa que o total da população, o que em tese permite mais poupança e investimento) deverá ser reduzido em um período breve.
Ademais, projeções do IBGE apontam que até 2030 a população com 80 anos ou mais deverá aumentar 144%, ultrapassando 6,5 milhões de pessoas. Esse crescimento representaria dez vezes mais o aumento geral da população, que deve ficar em 14%. Se o crescimento da população idosa cresce muito mais rápido do que a implementação de políticas públicas, é preciso cobrar ações mais efetivas.
Um dos avanços nesse sentido pode ser a aprovação de um projeto de lei que altera o Estatuto do Idoso. O texto prioriza pessoas com 80 anos ou mais em relação aos idosos entre 60 e 79 anos nas ações de assistência, atendimentos de saúde e tramitação de processos na Justiça. A matéria já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, mas precisa passar pelo plenário.
Leis são importantes, mas precisam de ações para que ganhem efetividade. Garantir direitos apenas "no papel" não garante qualidade de vida a esse grupo.

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