IDH: triste realidade!
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segunda-feira, 12 de maio de 2003
Alex Canziani 
Acompanhando um estudo publicado este ano pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, o Ipardes, fiquei estarrecido com alguns números. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, o conhecido IDH-M, mostra que em 2000 o Estado colocou-se numa posição extremamente desfavorável em relação aos demais estados do Sul e São Paulo.
Em outras palavras, apesar de estar em sexto lugar no ranking nacional, o Paraná concentra um grande número de municípios com o IDH inferior ao do Brasil. Ao todo 72% dos municípios paranaenses estão nesta condição, segundo o Ipardes. Já Santa Catarina têm apenas 20,48% das suas cidades abaixo da média brasileira; Rio Grande do Sul, 29,12% e São Paulo, 31,01%. Imbaú, Reserva, Mato Rico, Doutor Ulysses e Ortigueira, nesta ordem, ostentam os cinco piores resultados apresentados por aquele Instituto. Os cinco municípios paranaenses com melhores IDH são Curitiba, Quatro Pontes, Pato Branco, Entre Rios do Oeste e Maripá.
O estudo aponta ainda que no Paraná apenas 36% da população vivem em municípios com índices de alto desenvolvimento. Nos demais estados (São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) a proporção é superior a 60%. Se analisarmos com mais profundidade os números dos municípios paranaenses veremos outras discrepâncias. O que pensar, por exemplo, de Londrina, a segunda maior cidade do Estado? O município coloca-se em décimo lugar, com 0,824 de IDH (Curitiba tem 0,856).
Um estudo realizado pela Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte (MG), e publicado pela imprensa local dava conta que o IDH dos londrinenses havia piorado em dez anos. Nossa orgulhosa cidade passou do segundo lugar do Estado para o décimo, em qualidade de vida; e de 136º para 185º em termos de Brasil. Quer dizer: piorou de vida!
Por outro lado, o mesmo estudo, também utilizado pelo Ipardes, dá conta de que a concentração de renda ficou ainda mais acentuada no mesmo período. Se em 1991 os 10% mais ricos do município ganhavam 18 vezes mais do que alguém que estivesse entre os 40% mais pobres, em 2001 essa relação passou para 20 vezes mais.
Londrina, porém, melhorou segundo o mesmo estudo em renda per capita, escolaridade e nível de pobreza. Bom! Mas o mesmo trabalho não fala nada dos índices de violência e os níveis de segurança da nossa cidade. Se tais itens fossem incluídos na pesquisa (afinal, também poderiam ser considerados aspectos do desenvolvimento humano), certamente Londrina cairia ainda mais de posto, a julgar pelo crescente índice de homicídios.
Outro detalhe: se a pobreza é embrionariamente vinculada à violência e à insegurança pública, o que explica a melhora no ''nível de pobreza'' do município? Ainda assim, o respeitado estudo da fundação mineira dá conta de que a pobreza caiu de 16,6% para 12% em dez anos!
Há uma razão para tal: o estudo leva em conta apenas três aspectos: renda, longevidade e educação. Pois bem: e em que posição no ranking nacional Londrina ficaria se, daqui a algum tempo, o mesmo estudo fosse ampliado e também levasse em conta os aspectos da saúde pública? Só de imaginarmos os milhares de casos registrados por conta da epidemia de dengue...
Autoridades municipais, estaduais e federais, aliadas aos empresários e sociedade civil organizada, precisam se debruçarem em cima desses números (e, por que não, dos números da violência e da saúde pública) para traçarem e, principalmente, executarem um plano de ação que reverta tamanha vergonha e resgatem, especialmente, a saudosa e valorosa luta dos nossos pioneiros.
ALEX CANZIANI SILVEIRA é deputado federal pelo PTB-PR


