Na última década os brasileiros tiveram significativos avanços na qualidade de vida. O desenvolvimento econômico, que ampliou a oferta de empregos e, consequentemente, os salários, aliado aos programas sociais, proporcionou acesso à educação, saúde e bens de consumo que, anteriormente, a maioria da população sequer tinha acesso. Essa melhoria é palpável e, claramente, percebida no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado ontem. Segundo o levantamento, o Brasil passou da 80ª para 79ª posição entre 187 países e territórios.
Para composição do índice são analisados três pontos: expectativa de vida, educação (média de anos de estudo e anos esperados pela escolaridade) e renda per capita. A escala vai de 0 a 1 e quanto mais próximo de 1 melhor o desempenho do País.
Se houve avanços, é importante acrescentar que ainda há muito a ser feito. Além de comparações, uma vez que entre outros países da América Latina e Caribe, estamos atrás de Chile, Cuba, Argentina, Uruguai, Barbados, entre outros, é preciso analisar efetivamente a qualidade de vida da população.
Se atualmente os brasileiros têm mais anos de estudo, é fundamental partir para outra etapa: o analfabetismo funcional. Uma grande parcela da população simplesmente não entende o que lê e não consegue resolver operações simples de matemática. É fato. Se a saúde melhorou, a partir do avanço da atenção básica e de investimentos na rede pública, também deve-se lembrar que pessoas ainda morrem nas portas de hospitais sem atendimento e que, em muitos casos, a fila de espera por consultas com especialistas e cirurgias eletivas passa de ano.
A expectativa de vida dos brasileiros aumentou, mas é preciso que as pessoas envelheçam com saúde e, principalmente, com dignidade. É a realidade brasileira? Simples e poucos argumentos são suficientes para termos certeza de que é preciso avançar mais. E, para isso, apenas políticas públicas não bastam. É preciso pressão da sociedade. Independentemente de governantes ou partidos, a população deve fazer valer seus direitos.

mockup