Identificando problemas no trânsito
Em boa hora o Detran-PR inicia um levantamento dos problemas do trânsito, nas cidades, mas será preciso que os poderes públicos municipais executem as sugestões dadas. Este é o problema mais difícil, porque a imprensa denuncia, os motoristas sugerem, pessoas se manifestam publicamente e oferecem idéias, mas com pouco resultado positivo. Londrina, com 180 mil veículos registrados, é uma das cidades mais críticas, pelo número de acidentes. Só em maio ocorreram 1.100, com 4 mortes. É um número muito elevado, e o Detran dá justificativas: ''Há casos em Londrina de placas e até semáforos escondidos por galhos de árvores, o que prejudica o tráfego'', e, naturalmente, propicia acidentes. E mais: ''Ruas esburacadas e sinalização deficiente estão entre os principais problemas'', embora o Detran também ressalte as falhas humanas como grandes responsáveis. Se é certo que há grande número de condutores imprudentes, há também que responsabilizar o poder público, constantemente alertado. Há descaso e falta de profissionais habilitados em engenharia de tráfego. O que funciona bem é a ação dos aplicadores de multas. Os veículos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização percorrem a cidade constantemente, mas não para detectar problemas e buscar soluções, mas para multar. O ideal seria que conduzissem não guardas de bloco e caneta em punho mas técnicos, para aferir pontos de conflito. Os problemas do trânsito em Londrina, que é a segunda maior cidade do Estado e com um veículo para cada 2,5 pessoas, não são apenas aqueles citados pelo Detran, mas dezenas de outros mais. Pode-se citar semáforos (ainda de três tempos) em excesso e todos dessincronizados, a não ser em pequenos trechos e em poucas ruas, semáforos de igual tempo de verde e vermelho em vias de escoamento, quando o verde deveria ser prevalecente, bastando para isso um simples reajuste. Há que implantar mais canaletas de conversão, sinalização de superfície, com setas (sobretudo nas conversões das avenidas de duas pistas, porque os motoristas não sabem que a manobra deve ser em círculo). Por escassez de locais de estacionamento, há que pensar no eventual uso dos dois lados da rua, ou o sistema diagonal, onde possível; melhor sinalização para orientar sobretudo os motoristas de fora; implantação de mais rotatórias, reestudo das mãos e contra-mãos etc. Afora essas questões técnicas, há que reexaminar a questão da Zona Azul que, embora de caráter beneficente, também causa transtornos e custos adicionais, reclamando um melhor disciplinamento e o barateamento das ''tarifas'', porque os cidadãos já pagam impostos que lhes dão direito constitucional ao uso gratuito do lugar de estacionar, não importando por quanto tempo, se for o dia inteiro ou a noite inteira. De sua vez, a Polícia precisa agir nos pontos onde os ''guardadores'' (que nada guardam) impõem preços. Os cidadãos têm direito à proteção. Para as falhas humanas são aplicadas multas, com desconto de pontos na carteira, mas contra as negligências do poder público não existe nenhuma sanção. No mínimo uma anomalia no princípio da justiça e do dever mútuo.





