Idéia de gastança volta a contagiar vereadores
Pressionados pela opinião pública no começo do ano, os vereadores de Londrina recuaram no projeto de aumentar em 60% os gastos com assessores. Mas como houve apenas mudança estratégica e não de consciência, agora eles voltam com idéia idêntica e querem contratar três novos assessores, a um custo anual de R$ 161 mil. Dinheiro para abrigar cerca de vinte famílias em casas populares. Eles desejam esses auxiliares para ''entenderem melhor'' (palavras do presidente da Casa) certos pareceres vindos da administração municipal, os quais, como dizem, nem sempre são fáceis de compreender. Já se tem escrito neste espaço que para tudo se exige especialização, menos para os candidatos a cargos eletivos. Por desconhecimento, eles pecam muito em seus procedimentos, e a solução é que se preparem melhor e não que se encham de assessores, cuja competência é também discutível em muitos casos, por causa do favorecimento que contempla parentes e amigos em tais contratações. O presidente da Câmara de Vereadores, Orlando Bonilha, diz que as contratações ora engendradas são ''apenas parte da reestruturação'' que se planeja. Não é reestruturação de política pública mas de instalações físicas e a criação de sistemas que gerarão gastos de instalação e despesas permanentes. Além dos assessores propostos, as modificações são reforma do plenário, algo sem necessidade, a não ser esbanjar dinheiro; reforma dos gabinetes dos vereadores, um luxo que pode ser adiado; e o sonho de ter uma estação de televisão da Casa, para que os vereadores sejam vistos e, assim, irem pavimentando o caminho das reeleições. ''Se a Assembléia Legislativa tem uma, nós também podemos ter a nossa'' justifica o presidente. Ontem, no meio da tarde, a Ministério Público enviou à Câmara o alerta de que o projeto (de contratação dos anunciados servidores) caracteriza improbidade administrativa. Os vereadores não gostaram, e, embora tenham retirado da pauta a proposição por duas sessões, em face dessa advertência, mantêm o propósito, significando que estão irredutíveis. É preciso que a sociedade organizada entre em ação e ponha um balde de água fria nessas idéias a das contratações, a da TV, a das reformas físicas sem razão. Não é porque existe verba orçamentária que ela precisa ser esbanjada. Também existem outras normas como a de zelar pela função, bem administrar o dinheiro público, evitar desmandos e exercer eficiência. O que é permitido para gastar, mesmo que desnecessário, é utilizado na totalidade; o que é exigido em diligências legislativas mais velozes para benefício da população, isto pode esperar... Não é de estação de TV, de reforma em instalações internas, já suficientemente confortáveis, e de mais assessores, que a Câmara Municipal necessita, mas de vereadores conscientes, sem afoitezas como estas. Porque, no caso da emissora de televisão interna, as câmaras não farão melhor a imagem dos vereadores, mesmo que eles se dourem de ruge. Os freios precisam ser acionados, por via da firme intervenção da Promotoria Pública e da contra-ofensiva dos cidadãos.





