Idéia absurda de mudar nome do LEC
Todo patrocínio é bem-vindo para salvar o Londrina Esporte Clube, mas a cidade não aceitará que isso implique em mudança do nome original do time, se uma empresa no caso a Hexal passar a patrociná-lo. Essa indústria farmacêutica alemã, que acaba de ser inaugurada no município de Cambé, região metropolitana de Londrina, vem sendo sondada para essa parceria, e já há quem imagine adicionar o nome da empresa na denominação tradicional do time. Se nenhuma empresa investe sem objetivo de retorno, seja financeiro, logístico ou propagandístico, também é certo que não se entrega de bandeja uma marca histórica representada pelo Londrina Esporte Clube. Nem que a empresa a mencionada ou qualquer outra pagasse os R$ 8 milhões da dívida anunciada do clube e adicionasse o dobro, ainda assim não deveria ser permitida a alteração do nome. Há coisas que não são vendáveis, e os 48 anos e meio de existência do Londrina passaram a incorporar um valor, que está no seu nome, não importando a dificuldade econômica e sua classificação para a terceira divisão do futebol nacional. O que certos arautos das facilitações e entusiastas afoitos desejam, pelo que se vê pela absurda proposta de alterar o nome do time, será não um patrocínio mas uma venda. Então, se é venda, será necessário saber se é isto que a cidade deseja, e se for, haverá que estabelecer-se um preço, que não será o de um simples patrocínio. Verdade se diga que a Hexal não veio para o Norte do Paraná a fim de patrocinar times, nem fez proposta de modificar nome algum, tendo a idéia surgido de segmentos locais sem vínculo histórico com o Londrina. Se consultados, os torcedores e a cidade no geral se manifestariam absolutamente contra alterar o nome de seu velho time e, com toda certeza, a Hexal não desejará indispor-se, nem é o que deseja o seu diretor-presidente para o Brasil, Reinhard Nordmann, ex-jogador do Bayern de Munique e que está transferindo residência de São Paulo para Londrina. Entre alterar o nome ou dispensar-se essa parceria, uma idéia melhor seria a Hexal criar um novo time, eventualmente com sede em Cambé, o que seria uma nova opção e certamente bem aceita pela comunidade regional, ao tempo em que constituiria um estímulo para o Londrina ressurgir de sua pouco lisonjeira condição. Combalido, porém não morto e nem um produto comprável barato e exposto a mudança fácil de nome, o Londrina Esporte Clube é um precioso bem da cidade. Antes que a idéia de mudar o nome progrida entre alguns segmentos sem compromisso emocional com o time, é importante o alerta de que haverá grande reação contrária a tal idéia, e se ela vingar, isso poderá criar uma corrente negativa e resultar em antipatia gratuita pelo time e por seus novos dirigentes. Não é como o basquete, por exemplo, que no mais dos casos utiliza nome diferente de patrocinador a cada campeonato. É outra coisa com um patrimônio de meio século de existência, numa cidade de apenas 70 anos. No caso do Londrina, o nome de um eventual patrocinador estará sempre em evidência pela natural divulgação, sem necessidade de figurar no nome do time e descaracterizá-lo. Uma empresa brasileira, poderosa que fosse, não mudaria o nome do Bayern de Munique, na eventualidade do tradicional time alemão encontrar-se em dificuldade e ela vir a patrociná-lo. Mais não será preciso dizer.





