O governo Beto Richa terá muitos desafios. Como esta FOLHA já mostrou em reportagem especial, todo o interior do Paraná está carente de serviços essenciais do Estado nas áreas de Educação, Saúde e Segurança. Há necessidades básicas, imediatas, e há outro tipo de necessidade, mais técnico, de gestão. O ICMS, por exemplo, exige intervenção especializada. A melhoria na arrecadação não passa necessariamente pelo aumento de alíquota. Seria fácil tirar do contribuinte para cobrir o déficit acumulado. A proposta do futuro secretário, Luiz Carlos Hauly, colocada por ele durante visita a este jornal, é um reestudo do sistema tributário, nossa manchete de hoje.
  Na entrevista ao repórter Luciano Augusto, o futuro secretário avaliou que é possível fazer uma ‘‘mudança consistente’’ no sentido de simplificar o ICMS, nos moldes feitos pelo atual governo em relação à microempresa e à seletividade de alíquotas. Foi feita uma diminuição da carga – de 18% para 12% para 95 mil produtos – e houve impacto positivo, principalmente entre as famílias mais pobres.
  Impressiona o fato de o Paraná deixar de arrecadar R$ 1 bilhão por ano. Preocupa muito, diante de tantas carências que começam na qualidade da merenda escolar. Para não falar em saneamento básico, por exemplo. Outra informação é que a arrecadação está abaixo da média nacional, mesmo sendo a quinta economia do País e o sexto estado mais populoso, com mais de 10,4 milhões de pessoas.
  O novo secretário diz que está estudando o dado macro acima citado, que é preocupante. Na arrecadação nacional do ICMS, somada com as transferências do Fundo de Participação dos Estados, o Paraná tem uma arrecadação menor do que a média nacional (no mínimo R$ 1 bilhão a menos). O Paraná tem uma arrecadação menor do que a média de arrecadação per capita do país. O Paraná tem 6% do PIB e tem arrecadação menor por quê? A resposta a essa pergunta pode indicar a reengenharia do sistema de cobrança.

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