Afinal, alguém deu importância ao Aquífero Guarani (antes denominado Aquífero Botucatu) e vai extrair água desse reservatório subterrâneo, que vem desde Goiás e vai até o Uruguai, passando pela região norte-paranaense. No passado Londrina fez perfurações, mas o projeto não vingou, pelo custo do empreendimento e porque argumentou-se na época que a água não seria própria para consumo. Essa gigantesca reserva de fato está a 500 metros de profundidade, tem água considerada orgânica e tem a quantidade ideal de flúor, não precisando ser bombeada, pois sobe pela força da pressão.
O prefeito Alberto Baccarin ousou, e anuncia que a tarifa da água vai baixar ainda mais nesse município vizinho de Londrina e bem próximo do Rio Tibagi onde a água já tem custo baixo - R$ 10 para 10 metros cúbicos consumidos e R$ 6 de taxa de esgoto. O serviço municipal de captação e distribuição de água já abastece Ibiporã inteira (que tem 48 mil habitantes) com água tratada que vem do Rio Jacutinga (com nascente em Cambé e passando por Londrina) e capta esgoto tratado de quase 100% das residências (precisamente 98,6%), um número recorde no Paraná. Agora está prestes a concretizar-se o experimento inédito de trazer a água da profundeza, sangrando o aquífero aparentemente intocável e deixado quieto para atender a interesses nos negócios da água.
Com água barata e o projeto de extrair o líquido também dessa grande reserva subterrânea, Ibiporã ainda quer deflagrar uma campanha de economia, ou seja, uma contenção do desperdício por via da educação do consumidor, para fazer frente ao desafio que a iminente escassez de água representará em futuro não muito distante, se não houver conscientização da população mundial.
A FOLHA mostrou, em reportagem da última sexta-feira, o que Ibiporã propõe, e registrou a presença naquela cidade de um grupo de estudos do núcleo londrinense da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, mais conhecida como Adesg, que se associa na difusão dos benefícios que idéias como essa da água - e outras mais - proporcionam.
Isto faz parte da filosofia da Adesg, que primeiro contagia seus alunos mostrando a excelência de bons empreendimentos - como este de Ibiporã - e depois os converte em sugestões e projetos e os encaminha às autoridades pertinentes para que sirvam de modelo e exemplo e venham a ser adotados também em outros lugares.
Estes são projetos de ousadia (o aproveitamento de água dessa nova fonte) e de cidadania, o de proporcionar o fornecimento do líquido a preço baixo e educar os consumidores para que não desperdicem tão precioso bem. O Brasil e o mundo melhores que se deseja constrói-se por fórmulas como esta.

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