Ibiporã começa o seu Projeto de Saneamento Ambiental por um curso de orientação, que visa - como uma das metas - diminuir o barulho excessivo na cidade. Nesse curso, concluído ontem, foram treinados para operar o decibelímetro (que mede a intensidade do som) agentes do Instituto Ambiental do Paraná, Polícia Militar, bombeiros, representantes da Força Verde e funcionários da Secretaria do Meio Ambiente e da Segurança do Trabalho. O caminho acertado é este, de primeiro orientar quem vai compor o corpo de fiscalizadores, habilitando-os a policiar e punir.
Uma das orientações ao público é que apresente suas denúncias àquela Secretaria ou à Polícia Militar. Um agente ficará de plantão 24 horas, para atender também a casos noturnos de abuso de som. A boa política é educar as pessoas para a prática da denúncia - que é um exercício de cidadania - e outra é preparar o pessoal e disponibilizar um funcionário para os atendimentos, a qualquer hora. A iniciativa do curso e da ofensiva contra o barulho foi tomada a partir de queixas dos moradores. Elas apontam para os carros de som com propaganda, que ultrapassam os decibéis suportáveis e previstos em lei, e mais bares, lanchonetes (com seus altíssimos sistemas de aparelhos musicais) e também as festas noturnas particulares, com foco para o ruído dos veículos, das pessoas e da música até adiantada hora. Se durante o horário da noite é quando o som alto incomoda mais, os carros de propadanda e das lojas são também um grande transtorno, porque os operadores de som não conhecem limites e imaginam equivocadamente que, quanto mais estridente o som, mais eficiente o serviço.
O que perturba o silêncio em Ibiporã é um problema de todas as cidades, porque o poder público não age com a severidade necessária e os causadores de barulho não têm consciência do desassossego que semeiam. Clubes sociais costumam fazer suas festas até 5 horas da manhã, causando grande perturbação à vizinhança, mas não existem autoridades de plantão para ouvir as queixas da população, e por isso não têm grande atuação. Também os conjuntos musicais deveriam saber que não agrada a ninguém a música alta e que eles não são a atração principal de uma festa. Ibiporã dá um bom exemplo em sua investida contra esses abusos.

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