Neste 29 de junho, o Iapar completa 29 anos de produção de pesquisa voltada para o agronegócio do Estado. Vinculado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento, o instituto concretiza a ação do governo do Estado que, junto com a sociedade, busca manter e desenvolver o status de agricultura de vanguarda alcançada pelo Paraná.
Propositadamente, a data será marcada por trabalho e pelo lançamento interno de um programa que iniciará os preparativos para marcar as três décadas do Iapar, em 2002. Até porque, não se esconde que a instituição vive hoje problemas e desafios que precisam ser urgentemente superados, através de um amplo projeto de realinhamento institucional, lançado para promover as necessárias mudanças. Além de superar as dificuldades internas, o que se busca é assegurar a continuidade de uma ação institucional eficaz, em sintonia com as novas realidades do Estado e do ambiente.
Queremos dizer, com isso, que o realinhamento continuará proporcionando a ampliação da captação de recursos junto a fontes públicas e privadas de apoio à pesquisa científica e tecnológica, mas também junto ao governo estadual, que jamais poderá abandonar o Iapar porque a sociedade reconhece a importância estratégica de sua atuação para o desenvolvimento do Paraná.
É preciso, sim, a implementação urgente das transformações modernizadoras, uma maior autonomia, inclusive para a necessária ampliação e renovação de quadros (15 anos sem concurso público para cientistas representam um risco enorme para qualquer instituição); a plena aplicação do plano de carreiras, a retomada de investimentos estratégicos na infra-estrutura científica (a obsolescência neste setor é rápida frente ao surgimento de novos campos de conhecimento, como a biotecnologia e a bioinformática) e na flexibilização gerencial para poder atuar com mais agilidade no novo ambiente.
Este realinhamento é uma aspiração não apenas interna, mas também da própria sociedade que busca maior participação na definição da diretrizes e pesquisas do Iapar. A autonomia institucional significa ainda o atendimento a projetos de pesquisas voltados para as necessidades socioeconômicas do Estado como, por exemplo, oferecer à pequena agricultura base tecnológica para seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, maior e melhor inserção no sistema produtivo do agronegócio, nas cadeias agroalimentares e das suas contribuições à sustentabilidade agroecológica e socioeconômica da agricultura paranaense. Ou seja, a pesquisa é política pública, inserida e de suporte aos programas governamentais voltados para a agricultura e desenvolvimento.
Nesse grande esforço, o Paraná faz a sua parte, mas é preciso deixar claro que não pode mais fazer sozinho grandes e necessários investimentos. Até porque a agricultura paranaense, como as dos demais Estados, serve à economia do País, e inúmeras pesquisas estaduais transcendem as suas fronteiras. Por isso, a oportunidade também é propícia para que se reflita sobre a atuação das instituições de pesquisas estaduais, frente ao sistema nacional coordenado pelo órgão federal, a Embrapa, para manter o equilíbrio entre o conjunto.
Hoje, o volume de aporte da Embrapa nos sistemas estaduais baixou a praticamente zero. Mas, no Brasil, a pesquisa agropecuária é feita não só pelo governo federal (Embrapa), mas sobretudo pelos Estados que detêm cerca de 50% dos cientistas e da infra-estrutura de pesquisa no País, e são responsáveis por 2,1 mil projetos de pesquisa, que abrangem todos os produtos e questões de interesse para o agrobrasileiro. Em contrapartida, seu orçamento global é pouco mais de um terço daquele destinado à Embrapa.
Frente a atual crise, comum a todas as instituições de pesquisa dos Estados, emerge hoje um movimento político, comandado pelo Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Agricultura e Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Consepa), com o apoio dos deputados estaduais dos 16 Estados integrantes do Conselho, visando a recuperação dos níveis de investimentos federais nas instituições de pesquisas estaduais.
O que se propõe, para que a pesquisa nos Estados retome todo o seu potencial, é um programa de recomposição da estrutura dos sistemas estaduais com alocação, pelo prazo de cinco anos, de recursos adicionais de 20% nas dotações do Tesouro Federal destinados a Embrapa. Esse montante adicional, representando cerca de R$ 100 milhões anuais, será destinado a programas quinquenais de modernização institucional das entidades estaduais, financiando a recuperação da infra-estrutura física e de recursos humanos.
O documento-síntese dessa proposta, aprovado dia 19 último durante reunião do Fórum Nacional de Secretários de Estado de Agricultura, em Brasília, e intitulado ‘‘A pesquisa agropecuária nos Estados: Situação e Desafios’’ será encaminhado ao presidente Fernando Henrique no próximo dia 3 de julho pela direção do fórum e membros da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Com maior aporte de recursos federais, e ampliação do Estado e de outras fontes, o Iapar, por sua vez, continuará retribuindo. É que dispõe de quadro funcional de comprovada competência, capaz e disposto a manter o nível de desempenho e imagem que o instituto sempre teve: uma instituição de missão e de resultados, uma referência em pesquisa que orgulha o Paraná, seu povo e sua agricultura. E estará assim consolidando, na maturidade dos seus 30 anos cuja comemoração hoje é lançada, o apreço da comunidade paranaense ao papel estratégico que tem desempenhado.
- FLORINDO DALBERTO é presidente do Iapar e do Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Consepa)

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