IA: mudanças no mercado de trabalho exigem adaptação
Como em outras revoluções tecnológicas, há profissões que tendem a desaparecer, mas há também novas oportunidades surgindo
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terça-feira, 11 de novembro de 2025
Como em outras revoluções tecnológicas, há profissões que tendem a desaparecer, mas há também novas oportunidades surgindo
Folha de Londrina 
O mercado de trabalho está passando por uma das maiores transformações de sua história. O avanço das inteligências artificiais (IA) deixa de ser uma promessa distante e já altera, de forma concreta, a forma como as pessoas produzem, consomem e se relacionam profissionalmente. Dados do IBGE mostram que quase metade das empresas com mais de cem funcionários já utiliza IA em suas rotinas — um crescimento expressivo que reflete a velocidade dessa mudança.
Esse movimento, no entanto, não deve ser encarado como um bicho de sete cabeças. Como em outras revoluções tecnológicas, há profissões que tendem a desaparecer, mas há também novas oportunidades surgindo. A automação de tarefas repetitivas pode eliminar funções tradicionais, mas abre espaço para áreas como análise de dados, cibersegurança, ética em IA, gestão digital e engenharia de prompts. O saldo, segundo especialistas, tende a ser positivo: mais empregos serão criados do que extintos, especialmente para quem se qualificar.
Em entrevista à FOLHA, o professor Clayton Santos do Couto, da PUC-PR, lembra que, no Direito, a IA já deixou de ser ameaça para se tornar aliada. Ferramentas que organizam documentos, geram minutas e realizam pesquisas jurisprudenciais tornam o trabalho mais ágil, mas não substituem o julgamento humano — que continua sendo o núcleo do exercício jurídico. A mesma lógica vale para outras áreas: a tecnologia amplia as capacidades humanas, mas não as anula.
Pesquisas internacionais reforçam esse diagnóstico. Um levantamento da PwC projeta que a IA poderá gerar até 2,7 milhões de empregos líquidos apenas no Reino Unido até 2037. Já o professor Luciano Nakabashi, da USP, aponta que o impacto econômico tende a ser positivo no longo prazo, embora exija políticas de requalificação e investimento em educação. Países que souberem preparar seus trabalhadores para as novas demandas colherão ganhos em produtividade e competitividade.
No centro dessa transição está a necessidade de aprendizado contínuo. Como destaca o professor José Eduardo Santarem Segundo, da USP, a educação precisa se adaptar rapidamente, incorporando disciplinas que desenvolvam habilidades digitais, pensamento crítico e compreensão dos algoritmos que movem a IA. A alfabetização tecnológica, antes opcional, tornou-se essencial para qualquer profissão.
É natural que surjam dúvidas e receios diante do desconhecido. Mas a inteligência artificial não deve ser vista como inimiga do trabalhador, mas sim como ferramenta de ampliação das capacidades humanas. Cabe à sociedade, às empresas e aos governos garantir que essa transformação ocorra de forma ética, responsável e inclusiva, respeitando os direitos individuais e coletivos.
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