Minha geração, que viveu intensamente o período angustiante da Segunda Guerra Mundial, foi surpreendida naquela época com uma notícia que levantou os ânimos dos habitantes do mundo, tão castigado por revoluções e guerras, que têm envolvido as criaturas humanas desde tempos imemoriais.
A notícia foi a da realização, na cidade de Yalta, de uma conferência, em plena conflagração mundial, dos principais líderes democráticos com o dirigente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas num momento em que Adolf Hitler e Benito Mussolini ameaçavam dominar o mundo com suas doutrinas nazi-fascitas.
A guerra já havia, antes, perturbado a tranquilidade de milhões de seres humanos na primeira metade do Século XX, horrorizando a humanidade de nossa época. Era a primeira ação positiva dos dirigentes democráticos Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill no seu encontro com o ditador comunista Joseph Stalin a fim de terminar a ameaça do domínio nazi-fascista e restabelecer a paz mundial.
Foi esse encontro histórico que determinou a reunião de interesses contrários no sentido de enfrentar os adversários e garantir a convivência pacífica entre os povos. A união de forças políticas adversas possibilitou a vitória dos aliados e assegurou a paz. Foi aquele, assim, o primeiro ato para a reconstrução do mundo.
A nova geração de homens esclarecidos tenta evitar nova conflagração mundial nesta fase em que predominam as armas atômicas, cuja utilização poderá destruir o que foi criado pela civilização durante séculos. Essas reflexões bem mostram a importância que estadistas verdadeiros podem significar para a paz mundial, como revelou o Rei Hussein, da Jordânia, recentemente falecido, que representou sua permanente atitude pública para a pacificação do Oriente Médio, região herdeira de guerras e revoluções constantes.
O desaparecimento do monarca jordaniano comoveu não só seu povo e os povos daquela região, mas demonstrou ao mundo o alto significado de um estadista exemplar, que durante vários anos lutou pela pacificação, especialmente entre árabes e judeus. A presença do presidente da Rússia, Boris Yeltsin, e o dos Estados Unidos, Bill Clinton, acompanhado por três antecessores, assim como a dos homens de Estado árabes e judeus, bem demonstram o papel decisivo que o Rei Hussein desempenhou na pacificação do Oriente Médio.
Recordo sua figura com admiração, pois o conheci quando eu era decano do corpo diplomático acreditado em Teerã, ao lhe ser apresentado pelo imperador da velha Pérsia, Reza Pahlevi. Recordo ainda a impressão que me deixou - de pacifista - pois aparecia para conversar com o xá do Irã todas as vezes em que conflitos e distúrbios perturbavam a paz na região.
Seu papel histórico foi reconhecido agora pelos homens de Estado atuais, deixando, assim, um belo exemplo para o sucessor que escolheu - seu filho, o Rei Abdulah.
- ALUIZIO NAPOLEÃO é embaixador brasileiro aposentado

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