Humanizar presídio e ressocializar preso
Segmentos da sociedade, sobretudo os que foram vítimas de delinquentes, desejam a mais penosa punição para eles, e essa posição é manifestada claramente. Clamores por justiça e por castigos severos são comuns, de parte das pessoas que sofreram em poder de marginais ou foram vítimas de roubos, assaltos, ferimentos ou mortes no círculo familiar. Se essas dores e sentimentos precisam ser respeitados, não se pode adotar procedimento perverso contra os detentos. Reportagem que a Folha de Londrina publicou ontem mostra que os presos, no Paraná e de resto em todo o Brasil vivem no limite, em cadeias superlotadas. Se não é humana a violência dos marginais contra pacatos cidadãos, a sociedade não pode acalantar ímpetos de revide, mas contribuir com idéias e fórmulas de diminuir a criminalidade. Isto se fará por via do desenvolvimento socioeconômico e de sistemas prisionais que não sejam punidores mas recuperadores dessa legião de foras-da-lei, vítimas também eles. Experimentos que já se realizam no Paraná atestam que é possível ressocializar o delinquente, por meio de ocupação profissional, em ambiente adequado, porque a razão do isolamento desse indivíduo, pelo recurso da detenção, não é fazê-lo sofrer para ''pagar o mal que fez'' e sim evitar que repita delitos cometidos e assim o cidadão fique protegido. A instituição pública tem condições de implantar núcleos de recuperação e gerenciá-los, e os exemplos existentes o comprovam. O que se gasta com presídios e deve-se entender como segurança pública também a proteção interna do preso, para que não haja assassinatos entre eles deveria ser canalizado para a implantação de estabelecimentos que restabelecessem a dignidade dessa imensa população de encarcerados. No âmago de cada bandido há um ser humano, que teve um lar, que tem familiares e mães que choram. Medidas apenas logísticas, como aprisionar e fazer transferências do preso de um cárcere para outro, será sempre algo emergencial e nenhuma solução. Se o mal, em sua origem primeira, reside nas misérias sociais, que induzem à delinquência, a atentados contra o bem alheio e a toda sucessão de violência, há que voltar as vistas, antes de tudo, para a realidade socioeconômica e, a partir dos casos em que o delito já ocorreu e seus agentes estão presos, buscar caminhos de reinserção social desses indivíduos. Ou a sociedade faz isto, por sua própria mobilização ou por intermédio de sua representatividade nos Poderes legislativo, executivo, judicial, as lideranças religiosas e as inúmeras outras de forte expressão política ou terá de decretar sua própria falência como instituição salvadora e que se proclama sã e solidária.





