O tratamento de doentes em instituições hospitalares é um momento de apreensão para o próprio paciente e para familiares. A dor e o sofrimento fazem parte do processo de cura, mas pequenas ações podem reduzir esse fardo e até mesmo ajudar na recuperação de quem está internado.

A Política Nacional de Humanização (PNH) foi criada em 2003 pelo Ministério da Saúde para efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão. O objetivo é qualificar a saúde pública no Brasil e incentivar trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários.

Hospitais de Londrina e região têm exemplos práticos de como a humanização pode auxiliar na recuperação de pacientes. Um deles é a celebração de aniversários de pacientes que passam por longos períodos de internação, até mesmo aqueles casos graves que precisam ficar em unidades de terapia intensiva.

No Hospital da Providência, em Apucarana (Centro-Norte), o vidraceiro Ronaldo Rodrigues da Silva comemorou 64 anos com um festejo com tema do time do coração dele, o Palmeiras. Internado por conta de um enfisema pulmonar há cerca de sete meses, o paciente esbanjou alegria apesar do momento difícil que enfrenta.

A psicóloga Tatiana Martins Gadens, coordenadora do Grupo Técnico de Humanização da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), explica que o atendimento humanizado é uma forma de complementar o tradicional. “Enquanto o atendimento tradicional foca em aspectos técnicos e clínicos, o atendimento humanizado prioriza a relação entre profissionais de saúde e pacientes, levando em conta suas emoções, necessidades e experiências”, aponta a profissional.

Segundo ela, estudos mostram que um ambiente acolhedor e uma relação de confiança entre pacientes e profissionais de saúde podem reduzir o estresse e a ansiedade. Dessa forma, sem esses fatores negativos, a recuperação do doente fica facilitada.

A humanização do atendimento hospitalar também pode contribuir para a redução do tempo de internação e melhorar a satisfação geral com o atendimento. “Portanto, a abordagem humanizada não só beneficia o bem-estar emocional do paciente, mas também pode ter um impacto significativo em sua recuperação física”, completa Gadens.

Outras iniciativas existentes são a visita de animais de estimação, no pátio e até mesmo dentro dos leitos hospitalares, e o contato com familiares por meio de chamadas de vídeo. Esse procedimento, inclusive, se tornou mais comum durante a pandemia de coronavírus, quando o isolamento era regra até para que não estava internado e tinha somente suspeita da doença.

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