HU: há anos perdendo sua missão
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de agosto de 2013
Manoel Canesin 
Hospitais universitários possuem ampla missão. A missão do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina é prestar assistência integral à saúde, com excelência e qualidade, participando na prática do ensino, pesquisa e extensão, integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuindo para melhoria da qualidade de vida da população.
Alguns pontos merecem ser considerados nessa que é a real missão do HU, órgão que sempre foi e sempre será um termômetro da saúde de Londrina e região. Assim como a maior parte dos hospitais públicos e universitários do País, o HU vive também o reflexo do abandono dos governos.
Há vários serviços de saúde de ponta do século 21, entretanto, a maior parte deles no hospital ainda funciona nos moldes de gestão do século passado, quando o HU foi fundado por grandes desbravadores que já se aposentaram.
Temos que ser como eles e exercer mudanças importantes nesses momentos de agonia. Na época uma revolução em crescimento, hoje uma entidade desalinhada com as necessidades atuais de um sistema de saúde pleno. Um local onde ainda ensinamos e ao mesmo tempo prestamos assistência a pacientes internados em macas nos corredores, falta de medicações, falta de incentivo aos profissionais de saúde - docentes e servidores que lá exercem sua função -, assim como uma série infinita de problemas.
Não cabe a nós nomear culpados e sim encontrar soluções. Algumas perguntas devem ser feitas: é modelo de assistência e ensino que queremos para nossa cidade e região? É dessa forma que nossos cidadãos devem ser atendidos e nossos futuros médicos devem ser treinados? Como podemos falar em humanização e incorporação de tecnologia na saúde, tendo o exemplo de ensino médico da região dessa forma?
O foco político ao longo dos anos foi outro e ainda continua o mesmo. Infelizmente, não há nada de novo nas decisões políticas dos últimos meses, em que se acha que a solução para saúde será um maior número de médicos em locais carentes do Paraná ou do Brasil. Isso acontecerá sem esforços ao longo dos próximos anos, pois temos faculdades de Medicina de sobra no país e se esses médicos não tiverem apoio, lá não ficarão.
Medicina não se faz mais somente com estetoscópio no pescoço. A solução é realizarmos uma moderna gestão pública privada, compartilhada e transparente por meio de fundações. Temos que formar grupos de gestão a fim de tornar o modelo de financiamento mais amplo que o atual. Modelos que abram o hospital ao mercado e integrem o ensino, a assistência e a pesquisa nos moldes de outros hospitais brasileiros que já o fazem ou de outros modelos de sucesso no mundo. Esse antigo modelo, totalmente dependente do Estado, está fadado à falência.
O custeio da assistência à saúde atualmente deve caminhar com modelos totalmente diferentes dos de 40 anos atrás, quando o hospital iniciou suas atividades. Os gestores do hospital, os gestores públicos do município e dos governos estaduais e federal devem trabalhar em conjunto, incentivando uma reforma administrativa em um modelo público privado transparente que possa financiar a incorporação de assistência à saúde com "excelência e qualidade" integral a todos, pontos da missão do hospital que perdemos há muito tempo.
Não deixemos o HU perder sua missão ainda mais. É dever de todo cidadão londrinense ajudar o HU a voltar a ser o modelo de assistência para a população de Londrina e região e de ensino para nossos futuros médicos.


