Com frequência repete-se um fato preocupante para a área de atendimento da saúde pública, em Londrina, que é a superlotação do Hospital Universitário, o HU. Ontem, como consequência disto, uma criança com meningite e outra com problema respiratório grave tiveram que ser internadas num consultório do Pronto Socorro Infantil, quando deveriam estar em isolamento. Pela mesma razão, outros quatro pacientes que estão na enfermaria aguardam transferência para a UTI. Os responsáveis mais próximos que são a reitora da Universidade Estadual de Londrina-UEL, mantenedora do HU, e o diretor-clínico preferiram não se manifestar ao serem procurados, ontem, por este Jornal, porque o problema tem relação com o Estado. O HU é um hospital-escola vinculado ao curso de medicina da UEL e, face ao grande número de doentes (''o Brasil é um grande hospital'', disse certa vez destacada autoridade), se converteu em centro de atendimento de enorme fluxo. O desejado equilíbrio de ser um local de aprendizado e ter um número mais ou menos proporcional de pacientes foi superado por estes. Se o HU continua como escola, sem perda de qualidade nessa área, tem semelhança às vezes com hospital de campanha, com pacientes ocupando macas em corredores, qual campo de batalha. O estabelecimento é, na verdade, uma tábua de salvação para pacientes que chegam de todos os pontos do Estado, porque as equipes que ali ensinam, aprendem e atendem, são de qualidade e não questionam de onde procedem os que chegam em busca de socorro médico. Na maioria são carentes, atendidos pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. A informação que se tem é que, por designação do Estado, uma empresa faz levantamento visando a ampliação do espaço físico do hospital, consequentemente do número de leitos, de enfermarias, de equipamentos e aparatos afins. Porém esta é uma tarefa que, ao que se sabe, só será concluída no próximo ano, e até que se decida pela construção da obra e sua realização, irá longe. Espera-se que o Estado já tenha feito a necessária previsão de verba para o empreendimento. Há que haver pressa nesses procedimentos. Enquanto isso, é necessário que não apenas a UEL fique atenta e se mobilize, mas também as lideranças da comunidade local e microrregional. No passado, os problemas comuns sensibilizavam as pessoas influentes de toda a cidade, que se reuniam e levavam ao governo as reivindicações. Hoje, falta essa unidade, e é tempo de fazê-la ressurgir. Sem pressão contínua sobre os governantes, nada se obterá. A Região Metropolitana de Londrina tem de fazer valer a sua importância.

mockup