Hotéis de Londrina têm vagas para estagiários
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de novembro de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Adivinhem o que hotéis como o Blue Tree, Cedro e Sumatra têm em comum? Vagas disponíveis - tanto para a contratação, quanto para estágios - e não conseguem preencher.
Trata-se de um fenômeno recente? Ledo engano. Responsável pelo levantamento que constatou essa carência, por parte do mercado da hotelaria de Londrina, Milu Leão Duarte, coordenadora e fundadora do Grupo de Estudos Turísticos (Getur), aponta duas razões para as vagas em aberto.
Vemos que há muitas vagas e elas não são preenchidas porque não há mão-de-obra qualificada e, aquele que poderia aprender, não está disposto a pensar em um plano de carreira. Não se ingressa no mercado à frente de um cargo gerencial, como muitos querem, afirma.
Milu, que se especializou no segmento de cruzeiros marítimos, após terminar o curso de turismo e hotelaria, cita o próprio exemplo. Fiz estágio não-remunerado, e, à época, fiz de tudo um pouco. Foi legal porque, além de aprender, hoje me vejo preparada para todas as situações, como se, cada degrau que subi, servisse de trampolim para mim, acentua.
Ela relembra o pensamento que sustentava, à época: o que importava não era o salário e sim a rede de contatos. O network que obtive me ajudou muito. E outra: com o tempo de experiência, você adquire seu foco. Posso dizer que meu trabalho de conclusão de curso, o TCC, foi que coloquei em prática, relembra.
Como dica aos possíveis postulantes à vaga, Milu indica a determinação. Determinação e interesse são essenciais. A partir do momento que você mantém o interesse, há o aprendizado. E o aprendizado, como bem sabemos e vivenciamos, traz a maturidade.
De recepcionista a gerente
Graduada em hotelaria, com pós-graduação em administração de marketing e MBA em gestão empresarial, Mariana Morato, hoje gerente geral de uma rede de hotéis, não titubeia em afirmar: começou sua carreira, no segmento, há nove anos, como recepcionista.
Sempre corri atrás de tudo. Quando cursava hotelaria, trabalhei em agência de turismo, em hotéis, na parte de alimentos e bebidas, na recepção. Já cozinhei um monte e lavei muitos metros de chão, sem ganhar um real. Sempre corri atrás de experiência. O salário é sempre conseqüência do que você sabe, afirma Mariana.
No que se refere ao campo dos estágios, Mariana acredita que a posição do estagiário é exatamente contrária. Eles (estagiários) sabem que há as vagas, as faculdades divulgam, mas não é de interesse desses futuros profissionais, porque não há um salário. Acredito que, quando você é novo, ao invés de fechar as portas, você deve aproveitar as chances. Com isso, você conhece pessoas e faz seu nome, destaca.
Assim como Milu, foi exatamente após os estágios que Mariana descobriu qual seria seu filão, no segmento da hotelaria. Adorava hospedagem, servir... Servir não é para todo mundo e eu aprendi e segui em frente, com minha especificidade, afirma Mariana, que galgou seu espaço na rede com 5 mil funcionários.
De olho no futuro
Acadêmico do segundo semestre do curso de turismo, com ênfase em hotelaria, Daniel Kiyoshi Inonhe, de 23 anos, não pensou duas vezes antes de procurar um estágio, na área. Iniciei me dedicando a um treinamento, há seis meses, e hoje cuido da infra-estrutura do hotel: desde equipamentos até a parte de obras. O check-list é preventivo e corretivo.
O trabalho de Daniel, no caso, se atém a checar todas as áreas de serviço, sociais, apartamentos, bem como os departamentos administrativos. Há também a checagem nas caldeiras, na cabine primária, o gerador, a parte de gás, destaca.
Estudando em uma sala de 30 alunos, Daniel foi um dos poucos a procurar estágio. Acredito que, em minha sala, sejam quatro ou cinco as pessoas que se dispuseram a fazer estágio.
Apesar de estar na infra-estrutura do hotel, Daniel ressalta o aprendizado global. Aqui eu aprendo um pouco de tudo. Com isso, como colaborador, passo por vários treinamentos. Aprendo ética, o conceito da empresa, e demais conteúdos que, independente de onde estiver, poderei usar a meu favor. É um ganho que serve nas demais áreas. Aquilo que se aprende, ninguém te tira. É a sabedoria herdada, o aprendizado pessoal. Estou investindo no meu futuro, ensina Daniel.


