O Hospital Universitário (HU) de Londrina tem nova diretoria. Foi eleita no dia 26 a Chapa Bem-me-quer, com 70,44%, tendo à frente a pediatra e docente Margarida de Fátima Fernandes Carvalho. O desafio assumido é gerir uma instituição que conta com 307 docentes, 1.344 alunos e 1.797 funcionários. Só em 2009, foram 10,6 mil internamentos, 132 mil atendimentos ambulatoriais e 6,3 mil cirurgias.
Os números mostram que o desafio não é pequeno. Segundo Margarida, que assume o cargo em 11 de junho, a principal característica da futura gestão será a união e a discussão conjunta dos problemas. ''A grande dificuldade que tivemos nos últimos tempos foi de relacionamento entre os servidores, docentes e alunos com a diretoria. Nossa proposta é fazer uma gestão voltada às pessoas e promover o resgate da autoestima. Outro ponto é resgatar a imagem do hospital frente à população'', afirma Margarida, que pretende também pleitear representação junto aos Conselhos Administrativo e Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Quais os principais problemas enfrentados hoje pelo Hospital Universitário?
O principal problema é a falta de reposição de servidores. Nós estamos com deficit de 442 funcionários. As pessoas se aposentam, se exoneram e não conseguimos repor. Outra questão é o estoque de emergência de materiais hospitalares, que já foi de seis meses, e alguns itens hoje não chegam a um mês. Temos também pacientes que necessitam de cuidados intensivos e ficam internados no pronto-socorro. Precisamos que a comunidade e a 17 Regional de Saúde se sensibilizem com a questão do hospital.
E como está o repasse de verbas pelo município?
Foi assinado um termo de referência no dia 6 de maio, um contrato entre o reitor e o gestor municipal, e o valor passou de R$ 2,567 milhões para R$ 3,364 milhões por mês. Esse incremento deve repor o faturamento decorrente do excedente de produção, que o HU tem feito nos últimos meses, e em especial, os procedimentos de alta complexidade, que são realizados pelo hospital e não são pagos efetivamente pelo gestor.
Qual é a situação atual da dívida da prefeitura com o HU?
Os créditos pendentes decorrentes do excedente de produção que não foram pagos pelo gestor vão ser objeto de estudo e deliberações pontuais porque o aumento do teto concedido pelo Ministério da Saúde para Londrina não contempla o recurso para o pagamento de débitos passados, que até abril de 2009 era de R$ 7,1 milhões. Este valor foi reconhecido por uma comissão interinstitucional, inclusive pela auditoria da prefeitura. Falta de maio de 2009 até abril de 2010. A dívida em relação a este período ainda não foi avaliada pela prefeitura.
E a prefeitura fez alguma proposta de pagamento desse valor
O atual superintendente ainda não nos passou essa informação.
A Unidade de Transplante de Medula Óssea e o Banco de Olhos foram inaugurados, mas ainda não recebem pacientes. O que falta para começarem a funcionar efetivamente?
Já passamos por todas as instâncias municipais e estaduais e agora aguardamos a liberação do Ministério da Saúde. São serviços extremamente organizados, com protocolos de atendimento, um serviço de primeiro mundo, mas não temos previsão de liberação.
A instituição é um hospital escola, mas enfrenta dificuldades com o fluxo excessivo de pacientes. Esta situação compromete a formação dos alunos?
É difícil falar dessa forma. Com a gestão plena pelo município, nós trabalhamos com o gestor municipal, temos um diálogo entre o hospital e a prefeitura. Quanto ao atendimento assistencial, precisamos conversar com eles a respeito do número e do tipo de pacientes que queremos em um hospital de média e alta complexidade. Não que não possamos e não devamos atender pessoas com baixa complexidade, mas a rede pode suprir essa necessidade.
Hoje o HU é o hospital que mais atende o SUS. Vinte e oito por cento dos leitos hospitalares da cidade são nossos, 30% em média dos leitos de média e alta complexidade estão aqui e dos leitos complementares - como UTI e UCI (Unidade de Cuidados Intermediários) Neonatal e os leitos de isolamento -quase 40% estão aqui no HU.
E como fica a qualidade de ensino?
Temos poucos ambulatórios didáticos, embora exista uma grande participação dos docentes. Uma opção é contratar um corpo paralelo, para prestar essa assistência e manter o docente no ensino, mas isso por enquanto vai precisar ser discutido. Nós não temos conhecimento desta possibilidade e de que forma poderíamos contratar esses médicos.



O prin­ci­pal pro­ble­ma é a fal­ta de re­po­si­ção de ser­vi­do­res


Uma op­ção é con­tra­tar um cor­po pa­ra­le­lo pa­ra man­ter o do­cen­te no en­si­no

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