Horários Europeus - Maria Josefa Rafart de Seras
Horários europeus
Maria Josefa Rafart de Seras
Uma das coisas que o brasileiro mais estranha na Europa são os horários de fechamento do comércio. Decide comer um croissant ao meio-dia, mas, a menos que vá a uma lanchonete num grande magazine, não consegue entrar na padaria ou na confeitaria. Pois estão fechadas para o almoço. Após um grande dilema, que envolve o binômio bolso-culpa, você se decide por comprar aquela bota caríssima que viu há dois dias. Em duas horas parte o seu avião. Vai à loja às 2h30, e ela está simplesmente... fechada. Para o almoço.
Reflexo de um sistema de pequenos estabelecimentos no qual o dono está sempre presente atrás do balcão (até porque na Europa o item mão-de-obra é responsável por um largo percentual dos custos operacionais), o fechamento para o almoço, a chiusura per pranzo italiana, é a palavra de ordem pelo continente. Até os restaurantes têm o seu giorno de chiusura. Digo, maldosamente, que eles estão fechados para o almoço, como aquela piada de português.
(Mal) acostumados pelo sistema brasileiro, em que postos de gasolina, lojas, shoppings e supermercados permanecem abertos até as tantas de todos os dias do ano, nossos turistas amaldiçoam todas as gerações, passadas e futuras, do guarda do Museu do Vaticano que os manda embora meia hora depois de terem chegado, pois o museu deve fechar, só reabrindo às 4 horas. Exceção louvabilíssima a do cosmopolita Museu do Louvre, que permanece aberto o dia inteiro.
Na próxima visita à Europa, fique de olho nos horários: quem sabe você possa ter a grata surpresa de visitar o recém-restaurado Cenáculo, de Michelângelo, em Milão, à meia-noite. Um charme.
- MARIA JOSEFA RAFART DE SERAS é escritora paranaense radicada em Vicenza (Itália)





