Horário livre, para grandes e pequenos - Valter Luiz Orsi
Horário livre, para grandes e pequenos
Valter Luiz Orsi
Em diversas fases da história mais recente de Londrina, tivemos oportunidades de implantar na cidade novos modelos de expediente comercial. A maioria, com raras exceções, foi desperdiçada ou seus resultados foram pouco encorajadores. Agora, às portas do novo milênio e imersos nas bem definidas regras do mercado mundializado, o que era oportunidade passou a ser necessidade. Pura a simples.
O que vivemos e experimentamos ao longo destas últimas décadas deve nos servir como referência para o que teremos pela frente. Isso vale para a cultura empresarial e, de resto, para tudo o que envolve o cotidiano dos negócios e atividades profissionais. Fechados para o mundo, mergulhamos no vício de agir para não mudar, somar dias para completar anos e investir para - apenas - manter o modo de trabalhar.
Como consequência, pagamos o preço alto do atraso tecnológico, da defasagem das metodologias de produção e da fixação de costumes ultrapassados. No setor comercial, essas sequelas são sentidas principalmente na questão do expediente, que está engessado num modelo da década de 40 que em nada evoluiu. Temos, portanto, uma distância enorme a ser coberta entre a realidade de quase 60 anos atrás e hoje - com a consciência de que não podemos mais adiar as mudanças.
Londrina está às voltas com uma nova oportunidade. Temos um projeto de lei em tramitação na Câmara sugerindo mudanças nos expedientes. Temos também o assunto reconduzido ao centro dos debates no meio empresarial. Trata-se de um tema polêmico por natureza e, exatamente por isso, o bom senso deve reger as discussões.
Uma das principais contribuições para esse debate é a postura definida pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) e tornada pública nesta última terça-feira. Para a ACIL, deve prevalecer a liberdade para os empresários, em comum acordo com seus colaboradores, definirem quando abrir e quando fechar o estabelecimento.
Como um fórum permanente e de alto nível, a entidade vem discutindo a questão dos expedientes há décadas. Nestes últimos meses, o tema passou a dominar as atenções da Associação, que resolveu colher subsídios concretos para decidir como se posicionar diante do assunto. As pesquisas junto aos consumidores, aos empresários e somente junto aos filiados da ACIL foram o caminho escolhido pelos diretores e, também, representaram uma das peças-chave na reunião realizada na última terça-feira com os membros do Conselho Maior e da Diretoria da ACIL. Foi um encontro histórico, do qual participaram, por exemplo, ex-presidentes da Associação, que durante suas gestões passaram a conhecer a fundo a questão.
Foi também um espelho para as opiniões dos empresários sobre as mudanças nos horários. Ao final do encontro, prevaleceu a proposta da liberdade dos expedientes. Esta é, portanto, a bandeira que a ACIL empunhará de agora em diante.
Como já dissemos, há o consenso de que as mudanças virão. O que pode mudar neste cenário é o prazo para estas alterações serem adotadas e como elas serão recebidas pelos empresários. No entender da ACIL, a liberdade é fundamental para que todos possam atuar no mercado em condições de igualdade. Abrindo e fechando suas portas de acordo com seu público, seu perfil e sua estrutura. Sem leis que obriguem a abrir ou a fechar em determinados horários ou dias da semana.
Para os pequenos comerciantes, essa é uma condição vital. Com uma estrutura enxuta e mão-de-obra quase que totalmente familiar, o pequeno lojista precisa de diferenciais na sua luta por espaço e público numa arena em que atuam os grandes. As regras restritivas passam a ser concentradoras, a partir do momento em que acabam privilegiando quem tem maior poder de barganha. Oferecer a oportunidade da escolha dos expedientes é permitir maiores condições de sobrevivência a estes empresários.
Temos, portanto, a grande oportunidade de colocarmos Londrina como a cidade ágil e moderna que sempre foi, arrojada e pioneira. O tempo saberá reconhecer as iniciativas acertadas que tomarmos hoje, da mesma forma que cobrará nossos erros ou nossa omissão.
- VALTER LUIZ ORSI é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)





