A discussão sobre a ampliação do horário do comércio de Londrina gera polêmica há anos. Engessado em um Código de Posturas arcaico e retrógrado (lei que define as medidas de Polícia Administrativa a cargo do Município, datado de 1990), o chamado comércio de rua está autorizado a funcionar das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira; e das 9 às 13 horas aos sábados. A abertura nas tardes dos dois primeiros sábados do mês está acordada em Convenção Coletiva de Trabalho, firmada entre os sindicatos patronal e dos empregados.
Na data da promulgação do Código de Posturas do Município - há mais de 20 anos - Londrina a realidade era outra. Com vários shoppings centers já instalados e em construção e outras tantas redes com alvarás diferenciados, como é o caso das Lojas Americanas e da Havan, o comércio de rua perdeu. Desta forma, a proibição está restrita à região central, uma vez que as lojas instaladas em bairros periféricos mantêm as portas abertas aos sábados à tarde por força de acordos coletivos individuais ou mesmo à revelia da lei.
Nesse caso o que chama atenção são regras diferentes para um mesmo segmento. Como os sindicatos aceitam - e concordam - com a falta de isonomia entre os seus filiados? As leis não deveriam ser iguais para todos? Obviamente que há de se respeitar os direitos trabalhistas, cuja fiscalização é obrigação do Ministério do Trabalho. E nesse caso é necessário lembrar que várias categorias profissionais mantêm rotina aos finais de semana e até mesmo no período noturno.
Muito mais do que um debate simplista entre empresários e trabalhadores, há que se verificar o interesse coletivo. Londrina - conhecida por ser uma cidade de vanguarda - tem uma população de mais de 500 mil habitantes, além de ser polo regional de compras e serviços. O funcionamento das lojas em horário ampliado certamente atrairá mais consumidores, além de contribuir para gerar mais empregos e divisas ao Município.
No entanto, o debate precisa ser fomentado. O que não se pode mais aceitar é que decisões importantes como esta para a cidade fiquem nas mãos de um pequeno grupo, muitas vezes focado apenas em interesses individuais. No mínimo, deve haver um maior envolvimento de todos os setores da sociedade.

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