O atraso nas negociações salariais entre empresários e comerciários só tende a prejudicar a cidade de Londrina. Desde maio, mês de data-base dos empregados, as relações de trabalho da atividade estão sem normatização. Cumpre-se o previsto na ultrapassada legislação trabalhista e no Código de Posturas do Município. Agora, a exemplo do que ocorre anualmente e em pleno período natalino, corre-se para fechar a Convenção Coletiva.
Basicamente o entrave deste ano é o mesmo dos períodos anteriores: o horário de funcionamento do chamado comércio de rua aos finais de semana. O Código de Posturas autoriza a abertura das lojas apenas nos dois primeiros sábados de cada mês, enquanto o desejo dos empresários é flexibilizar o horário, cabendo a cada comerciante avaliar a necessidade de abertura do seu estabelecimento. A discussão sobre esse ponto é antiga, mas agora ganha relevância porque a atualidade do tema deve ser considerada. As relações comerciais mudaram, modernizaram-se. Em tempos de crescimento do e-commerce e de shoppings centers lotados aos finais de semana, parece não fazer qualquer sentido a alegação de que os comerciários precisam dos finais de semana para descansar ou para ter momentos de lazer com a família.
No entanto, tampouco trata-se de defender o rompimento das relações trabalhistas tradicionais. Se a lei for cumprida - com o pagamento correto das horas trabalhadas e o respeito ao descanso semanal -, a flexibilização deve ocorrer porque é uma necessidade dos tempos atuais. Comerciários empregados em shoppings ou em supermercados já cumprem jornada diferenciada, como horários noturnos e trabalho aos feriados e finais de semana, e, ao que parece, não há desrespeito à legislação ou ao funcionário. E, se houver, que o Ministério do Trabalho fiscalize e faça cumprir a lei. É um retrocesso que em 2012, ainda se discuta - e impeça - que o comércio abra as suas portas nas tardes de sábado.

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