Horário de verão e demanda por energia
Depois de quase quatro meses, será encerrado à meia-noite de hoje o horário de verão. Implantado há 35 anos, o adiantamento de uma hora nos relógios em 10 Estados e no Distrito Federal gerou uma redução do consumo de energia elétrica de 172 megawatts. Segundo o Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS), a "economia" representa 4,5% da demanda máxima dos três subsistemas, o equivalente a cerca de 55% da carga no horário de pico de consumo da cidade do Rio de Janeiro ou a duas vezes a carga no horário de ponta de Curitiba.
Além da redução do consumo, de acordo com o ONS, outro benefício seria a diminuição dos carregamentos na rede de transmissão, da maior flexibilidade operativa para realização de manutenções em equipamentos e da redução de cortes de carga em situações de emergência neste horário. No País, o Estado que obteve a maior economia foi o Rio Grande do Sul, com uma redução de 4,9% da demanda; no Paraná, o resultado obtido foi de 4,7%. Com a redução de demanda decorrente da aplicação permanente do horário de verão, o governo estima que evita investimentos na construção de térmicas a gás natural de cerca de R$ 3,5 bilhões.
Se por um lado os benefícios do horário de verão são importantes para geração e consumo de energia elétrica, há que se considerar também que a alteração no relógio interfere diretamente no dia a dia da população. Enquanto uns estão totalmente habituados à mudança, outros ainda sentem certa dificuldade na adaptação. Por isso, talvez fosse interessante avaliar previamente a necessidade real de implantação do horário de verão. Mesmo com a sua instituição por meio de decreto presidencial, a necessidade de implantação é variável a cada ano e, por isso, alguns indicadores como ocorrência de chuvas, nível dos reservatórios, capacidade de produção de energia, quantidade de usinas em funcionamento e demanda estimada devem ser considerados.





