Horário de trabalho do jornalista é de cinco horas por dia. Antes porém que alguém reclame, considerando esta limitação uma espécie de privilégio, vale lembrar alguns detalhes: o primeiro é que esta é uma das mais estressantes e perigosas profissões existentes, de tal modo que a previsão de vida do jornalista é menor que a do cidadão comum; o segundo é que o jornalista tem a obrigação de estar à disposição do meio de comunicação por cinco horas mas, em verdade, está atento pelo menos todo o tempo em que fica acordado. E há quem diga que até mesmo dormindo, no sonho, o jornalista trabalha, encontrando temas e assuntos para desenvolver.
Independente de questões oníricas (relativas ao sonho), a realidade é que o jornalista está sempre de plantão. Na rua, diante de um acidente, em casa, vendo TV, se informa e, não poucas vezes, deixa o sossego, correndo ao jornal a fim de evitar que uma notícia vital deixe de ser publicada.
Só para se ter um exemplo, isto aconteceu na véspera do dia em que Tancredo Neves ia ser empossado na presidência. O jornal estava fechado, a manchete era, justamente, a posse. Então, a TV noticiou, à noite: Tancredo Neves havia sido internado em um hospital. Vários redatores correram para o jornal a fim de mudar as coisas, corrigir a informação e atualizar a notícia. No dia seguinte saiu a informação correta e na manchete não a posse mas a internação e o anúncio de que outro iria assumir. Ninguém pediu ou ganhou extra. Os jornalistas fizeram o que é normal: correr para dar a notícia correta ao leitor.
Estelio Feldman

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