Londrina homenageia Horácio Sabino Coimbra, fundador da Companhia Cacique de Café Solúvel, símbolo de honra desafiadora de um tempo. Talento, coragem, boas ações visando harmonizar o desenvolvimento, com plena integração do capital e do trabalho, não pode ser apenas intenção ou promessa política em véspera de eleição. Esse ato que a cidade tributa a um valente pioneiro do seu desenvolvimento é marcante. E oportuno.
A inauguração do ‘‘Memorial e do Parque Industrial Horácio Sabino Coimbra’’ não é apenas o resgate de uma saudosa personalidade que fertilizou a industrialização no Norte do Paraná. É manter como memória viva um personagem que marcou a sua passagem por esse mundo temporal como um fecundador do progresso. Como um empreendedor que repartia as suas vitórias com os seus companheiros, Horácio Sabino Coimbra foi um fidalgo que nunca deixou de cultivar a simplicidade e a solidariedade. Banqueiro, agricultor e industrial, com a sua inseparável piteira, não fazia do distanciamento do próximo uma maneira de se fazer importante. Ao contrário, sua sólida formação humanista quebrava barreiras e fazia do semelhante que o cercava um igual. Daí o seu êxito.
Desafiando brutais pressões que impediam a industrialização do café solúvel nas terras brasileiras, construiu em Londrina a maior fábrica do gênero no mundo. Inaugurada, travou uma verdadeira guerra do café solúvel. Como um ‘‘globetrotter’’ saiu pelo mundo. Estados Unidos, União Soviética, Leste Europeu, China, pelos quatro cantos do globo andou como um solitário caixeiro viajante. Abriu mercados e consolidou a indústria.
Londrina estará completando em 10 de dezembro 63 anos como um município emancipado. Há 38 anos, nascia a Companhia Cacique de Café Solúvel, em 1959. Na época, Horácio presidia o Banco Nacional da Lavoura Paraná-Santa Catarina, uma casa bancária que os agricultores chamavam de ‘‘nosso banco’’, tal a capilaridade que adquiriu financiando a lavoura norte-paranaense. Essa alavanca foi fundamental para o surgimento da indústria, inicialmente contando com 500 acionistas. Ao lado de Aroldo Sardenberg, Anibal Siqueira, Ulisses Ferreira Guimarães e outros homens de igual fibra, Coimbra viu as ‘‘pressões’’ externas e internas brotarem como cogumelos para impedir que o Brasil industrializasse o seu café.
Somente em 17 de abril de 1966 a fábrica pôde ser inaugurada. São 31 anos de produção ininterrupta que se distribui pelo mundo afora. E continua sendo a grande referência industrial de Londrina.
Horácio Sabino Coimbra é o símbolo da industrialização de Londrina. Imaginem o que seria, hoje, para a região, se outras várias centenas de indústrias, aproveitando o dinheiro farto que o café gerava, tivessem sido construídas. O perfil de desenvolvimento regional seria outro.
O que caracteriza os homens de visão e espírito empreendedor é sacar no momento certo projetos e propostas que sirvam para fazer um mundo melhor. Horácio coimbra foi um empreendedor além do seu tempo. Sua vida foi uma página que se transformou em livro de realização concreta visando à construção de uma sociedade mais digna, decente, generosa e solidária.

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