O futuro governador do Paraná, seja ele Osmar Dias ou novamente Roberto Requião, terá de retomar sem demora programas que contemplem a produção rural sem exaurir os recursos naturais - ações que preconizem o equilíbrio entre produção econômica e preservação ambiental. Ou, para resumir numa só palavra: a sustentabilidade. Esse conceito não vai contra a renda do agricultor, e ele sabe disso. Existe tecnologia que concilia interesse econômico com proteção da natureza. O avanço das técnicas, hoje, evita que esses conceitos sejam excludentes. Políticas voltadas para a produção são simpáticas ao público urbano. Porque sendo consumidor, todo cidadão sabe que a certeza do alimento na mesa passa pela manutenção de um solo fértil, pela boa semente e, afinal, pela segurança do produtor. Hoje toda a cadeia produtiva - cultivo, industrialização, varejo e consumo - está atenta a esta questão. Neste momento há uma preocupação no setor produtivo do Paraná. É que, ao longo dos últimos anos, muitas boas técnicas foram abandonadas, e isto sempre resulta em problemas. Alguns afetam apenas a produção, outros vão além da porteira da fazenda e chegam ao consumidor. É o caso da qualidade. Daí a necessidade de um novo compromisso nesse campo, para que continue a garantia de apoio à produção de alimentos. O Paraná se sustenta basicamente da produção rural - agricultura e pecuária - e quando este setor vai bem tudo o mais tende a andar bem. Recentemente este Jornal denunciou, por meio da Folha Rural, o abandono do manejo integrado de pragas, e será preciso reimplantá-lo já no início do novo Governo. E não só este, como outros programas preservacionistas que caminhem lado a lado com os avanços da ciência e da tecnologia. O Brasil e o Paraná estão órfãos de uma boa política de produção que dê garantias ao produtor e à qualidade dos produtos, porque o consumidor - o interno e o de fora - está cada vez mais exigente, e com razão. Não é apenas este o problema da atividade rural no Paraná mas também o de estabelecer os programas de equilíbrio e preservação dos recursos ambientais. O manejo integrado de pragas, que existia e foi extinto, precisa ser restabelecido. Governantes menos sintonizados com o setor rural - sustentáculo maior da economia paranaense - voltaram mais atenção para as áreas urbanas, destacadamente o apoio à concentração de indústrias na Capital, e desprezaram o interior e os negócios do campo. O momento é oportuno para se cobrar dos dois candidatos definições claras sobre os seus planos para com o numeroso contingente populacional que opera na lavoura e na pecuária e que, afinal, é o que garante o alimento à mesa e alenta a receita de dólares pela exportação.

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