Hora de replantar, não destruir
Árvores adultas, porém novas, de tronco sadio e galhos viçosos. De repente aparecem escoradas sobre condutores de eletricidade, ou deitadas sobre a calçada ou tomando o leito da rua. Para compor esse cenário, no domingo, bastaram poucos minutos de ventos fortes. A reação de pessoas menos atentas foi imediata: caíram porque eram velhas; já deveriam ter sido substituídas. De fato algumas daquelas árvores apresentavam podridão parcial das raízes e tronco. Algumas.
No entanto, um olhar mais atento pode constatar que as raízes das árvores arrancadas pelo vento não eram profundas (tipo pivotantes) e que as covas abertas para a colocação das mudas provavelmente eram rasas. Plantadas assim, com suas raízes crescendo na horizontal, as plantas têm pouca firmeza e ficam vulneráveis. Ocorre em Londrina, Apucarana, Arapongas, Maringá e outras cidades.
Por que essa constatação em detalhes? Porque agora, diante do estrago, e sob o impacto das imagens da mídia, vêm os clamores. Porque agora todo morador quer se livrar da árvore velha que está em frente da sua casa. E não faltarão os futurologistas do clima para dizer que outros vendavais certamente arrancarão outras tantas árvores que serão atiradas sobre nossas cabeças.
Bobagem. Se depender de catastrofistas, amanhã a prefeitura declara guerra às árvores. Mas é equívoco. Primeiro porque não há como prever eventos climáticos severos. Em segundo lugar porque está claro - isto sim - que o vendaval de domingo foi atípico e não tem precedentes na história.
Então, que ninguém se precipite em achar que todas as árvores são velhas e devam ser cortadas e substituídas. Em termos de agressão, basta o que fizeram deste Paraná em cerca de meio século de exploração. No Brasil não se cultiva a terra, explora-se. Além disso, chega o que fazem na Amazônia sob olhares complascentes ou mediante conivência de quem deveria fiscalizar. Finalmente, basta o comportamento do homem diante da natureza, sempre propenso a usar a foice, machado e, nos útlimos tempos, a motosserra de grande poder destrutivo.
Feita a desobstrução dos galhos e das árvores que estavam na via pública, a atitude sensata, agora, é que remova da mente dos homens a mania de erradicar e fazer vir abaixo tudo o que é vivente, do reino animal ou vegetal.





