Hora de discutir a postura da PM
A população paranaense precisa de uma polícia firme, dura com os bandidos, que não transija no combate ao tráfico, que não ceda a interesses políticos. Se uma corporação reunir todos esses quesitos mas não incorporar conceitos de cidadania, urbanidade e respeito humano é porque o seu padrão de conduta não é compatível com a expectativa das pessoas, enfim da socidade que a mantém.
Decididamente, o povo não precisa de polícia que mata trabalhador, independente da circunstância. Porque esta não é uma polícia cidadã. No episódio do Bairro Santa Fé, em Londrina, em que a polícia interveio para impedir o barulho, bastaria colocar um fim no som alto da festa, apreender os equipamentos e prender o responsável por infringência à lei do silêncio. Esta seria a ação de uma polícia forte. E esta força não se expressa em ato de violência.
Mas houve espancamento do jovem promotor da festa até levá-lo à morte, fato precedido do desacato do rapaz aos policiais que lhe pediram para baixar o volume. A ordem não foi atendida e, para agravar a situação, seus colegas aumentaram mais o som. Para muitos, a esta altura estamos diante de um caso de delicada questão de violência mútua, representada pelo abuso do barulho e pela desobediência à determinação policial, levando à exasperação e ao revide dos soldados.
Eis aí a conjugação de ingredientes perigosos: agravo à lei de respeito ao silêncio e desafio à autoridade, por um lado, e, por outro, a reação brutal dos policiais que, com toda a certeza, fora movida pela ira ante o desacato, e esta é a mais perigosa das condições emocionais do indivíduo e, muito especialmente, do que exerce funções de polícia. Há que haver preparo emocional. Repressão ou uso da força só quando a ocasião exige, mas é o enfurecimento que desequilibra as ações e leva a tragédias que poderiam ser evitadas, como no caso em questão.
O comando estadual da Polícia Militar deve buscar as razões do ato extremo praticado por seus membros e identificar onde estão as falhas e não tratar este caso como exceção. Porque se um policial se acha no direito de espancar um cidadão até a morte - seja lá por qualquer motivo -, então o treinamento que recebeu não valeu nada, e fica evidente que há problemas em toda a instituição. Se o comando não questionar seus próprios erros, se não tiver coragem de admiti-los e corrigi-los, então não será feita justiça. O desvio de conduta dos policiais envolvidos no assassinato de Jamys Smith da Silva, deve ser debatido por toda a corporação militar.





