Que atitude devem tomar o consumidor, o comerciante e o empreendedor até a virada do ano - ou até as eleições? É hora de cautela, nos gastos e nos investimentos? Seria o caso de ‘‘valorizar a posse da bola’’ sem arriscar no ataque? Ou é melhor ficar de olho nas oportunidades e ousar, quando todo mundo mantém o pé no freio?
  A primeira análise é identificar se há espaço para novos endividamentos. E se a troca de apartamento, ou a compra de um maior, é um projeto a ser executado agora. Muitas respostas para essas dúvidas passam pelo comportamento das propostas eleitorais e diagnóstico do momento em que vive o País.
  Até mesmo o Banco Central mantém essas dúvidas. ainda não tem um prognóstico claro da tendência de todas as nuances macroeconômicas deste segundo semestre. Também lhe falta uma leitura mais confiável do cenário mundial, algo que nem os maiores economistas conseguem vislumbrar. Mas são as variáveis relacionadas com a política que, neste momento, exercem maior influência sobre qual o melhor caminho para manejar as taxas de juros.
  Diante deste quadro mantém-se cauteloso - até com certo exagero - com relação aos juros. Flexibilizar, ou manter as taxas defensivas, isto é, em patamares acima da média dos últimos anos? Eis a questão. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve realizar uma última alta de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic este ano, na reunião que ocorre na próxima terça e quarta-feira. A avaliação é do estrategista-chefe do WestLB do Brasil, Roberto Padovani, durante entrevista à ‘‘AE TV’’, da Agência Estado. ‘‘A aposta de um aumento de 0,75 ponto nos juros está dada como certa e deve ser o último de 2010’’, disse.
  Segundo Padovani, a novidade esperada deste encontro é que os membros do Copom devem indicar que estão mais tranquilos quanto ao risco inflacionário. ‘‘Acredito que o Banco Central vai sinalizar que irá diminuir o ritmo de alta ou apontar o fim deste ciclo. Teremos novidades muito mais em relação ao encontro de setembro, do que da decisão em si na quarta-feira’’, disse.
  Em relação aos últimos indicadores, apontando desaceleração da economia, Padovani avalia que, de fato, os dados sugerem uma acomodação no ritmo do crescimento.

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