Falar sobre a ascensão dos índices de preços, no momento, não é fomentar o terror da inflação, mas alertar para que consumidores e investidores tratem de abrigar seu dinheiro em aplicações que mantenham sua rentabilidade ou, então, que evite a depreciação. Afinal, a inflação está em ebulição subterrânea, mas existe. Os dados oficiais é que mascaram a realidade para evitar uma corrida especulativa. É uma forma até defensável de escamotear a verdade por prudência e precaução.
  A sociedade estava se desacostumando com altas de preços e a cultura inflacionária estava desaparecendo do nosso comércio, que deixou de ser ‘‘remarcador’’ de preços como ocorria até os anos 90. Os mais pessimistas afirmam que não está longe de voltarmos aos tempos da ciranda financeira, conforme já foi alertado aqui.
  A inflação oficial usada pelo governo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acelerou e teve alta de 0,45% em setembro, registrando a maior alta desde abril (0,57%), informou ontem o IBGE. Em agosto, o índice havia apresentado variação positiva de 0,04%. Já em setembro de 2009, a inflação havia sido de 0,24%.
  Entenda esta performance, conforme o repórter Cirilo Junior, com base em dados do governo. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,7%, ficando acima do centro da meta (4,5%) estipulada pelo governo. Até agosto, a taxa era de 4,49%. Os alimentos tiveram avanço de 1,08% no mês passado, após três meses em queda, tendo contabilizado variação negativa de 0,24% em agosto. A principal contribuição veio do item carnes (5,09%), com participação de 0,11 ponto percentual no índice.
  O IBGE observou ainda alta no açúcar cristal (5,66%), no óleo de soja (5,47%), em frutas (3,98%) e na farinha de trigo (3,61%).
Os produtos não alimentícios tiveram aceleração e registraram inflação de 0,27%, ante 0,12% em agosto. As principais influências sobre o indicador no mês passado foram os itens aluguel residencial (0,61%) e tarifa de água e esgoto (0,70%) -influenciado pelo reajuste de 4,15% ocorrido em São Paulo.
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado entre as famílias com renda mensal até seis salários mínimos, teve elevação de 0,54% em setembro, ante -0,07% observados no mês anterior. Quando as altas recaem sobre itens de maior demanda, o risco fica mais iminente.

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