Escolher os caminhos em uma fase da vida na qual tudo parece complicado e difícil de resolver. Este é o desafio que o estudante enfrenta quando precisa escolher a carreira. ''Quase 100% dos jovens não se mostram prontos, mas há como se preparar para essas decisões'', garante o publicitário Rui Leal, autor do livro Superdicas, voltado para os jovens que buscam direcionamento profissional.
O apoio da família é fundamental para que o estudante possa suportar a pressão que envolve o momento que pode definir o caminho que sua vida vai seguir. Isso, porém, deve ser feito com equilíbrio, para que seja garantido ao jovem tomar suas próprias decisões. ''Em alguns lares a proteção acontece de maneira exagerada e isso faz com que os filhos não nem tentem tomar a iniciativa'', explica Leal.
Ainda segundo Leal, embora o jovem pareça inexperiente, esse é o momento ideal para encarar a vida. Portanto, a opção por determinado curso deve partir única e exclusivamente do estudante, mas cabe à família dar o apoio necessário para que ele não faça escolhas equivocadas. ''Todo mundo começa qualquer coisa sem experiência nenhuma, o que não pode ocorrer é o jovem não ser cobrado por suas decisões'', aponta.
O que o jovem deve levar em consideração na hora de escolher o rumo profissional a tomar?
Normalmente o jovem deixa para fazer a escolha da profissão no momento do vestibular. O que estamos propondo no livro é justamente o inverso: o jovem vai atuar no mercado de trabalho e não na universidade. Portanto, o estudante deve buscar informações sobre o mercado de trabalho, que não é do domínio dele, e depois escolher o curso universitário. Partindo dessa orientação o jovem tem que estar antenado ao que acontece no mercado de trabalho.
Quando é recomendável tomar esse posicionamento?
Ele precisa entender que existem coisas importantes além das baladas. Os pais muitas vezes ficam mais angustiados do que os próprios filhos porque a escolha profissional é o primeiro momento importante de verdade na vida do filho. O livro procura mostrar para os pais que superprotegem os filhos que o jovem de 15 a 17 anos está mais do que pronto para se preocupar com seu futuro profissional.
Como a educação dada pelos pais pode influenciar no comportamento profissional do filho?
É preciso que jovem e família entendam que os limites do lar não são os mesmos da empresa. Os limites impostos são mais rigorosos. Se você ''pisar na bola'', está demitido. Na casa você tem a proteção da família e nesse aspecto em alguns lares isso acontece de maneira exagerada. Os pais querem que os filhos não errem, não tentem e nem tenham iniciativa.
Como lidar com a pressão que envolve uma escolha tão importante em um período em que nem todos se mostram preparados?
Quase 100% dos jovens realmente não se mostram prontos, por isso que a gente está propondo no livro que eles se preparem e conheçam o chão que irão pisar. Só que tudo vai exigir muita determinação e interesse. Tem como se preparar.E a decisão tem que ser dele e não do pai ou da mãe.
A pressão dos pais pode levar a uma escolha equivocada?
O livro é destinado ao jovem, porém os pais também devem ler, para poderem opinar com conhecimento de causa. Quem opina sem conhecimento de causa dá palpite e isso é o que o jovem menos precisa.
Que métodos os familiares podem usar em conjunto para dar o apoio necessário ao estudante?
Primeiro é o jovem definir qual é a sua missão de vida e depois disso ele precisa fazer um plano de vida, ele precisa saber para onde vai. Qualquer um, não só o jovem, precisa ter um plano de vida. Em quanto tempo você quer chegar lá? Fazendo o quê? E em quais condições? Plano de vida não é algo que a gente vai tratar uma vez só. É para ser revisto periodicamente, porque se acontecer algo que interfira nisso você se torna capaz de encontrar um plano B e lidar melhor com essas situações.
Muitos estudantes têm que trocar de cidade para fazer o curso desejado. Como lidar com esta questão? Até onde isso pode influenciar na formação profissional do indivíduo?
Esse é o momento da verdade, porque muitos jovens querem deixar a família de qualquer jeito. Isto é ruim porque faz com que ele tome a decisão de maneira a fazer um curso só para sair de casa, o que não quer dizer que esteja tomando a decisão correta. O contrário também é verdadeiro. Há jovens que são muito ligados à família, ao ambiente que sempre viveram e não querem sair dali e o lugar não vai oferecer o que ele precisa. Se houver necessidade de sair de casa ele tem que ter isso bem definido e estudar essa possibilidade antecipadamente.
Caso a pessoa tenha escolhido e começado o curso e já não sinta o mesmo prazer, que atitude deve ter?
Se for claro para o jovem que o curso não é nada daquilo que ele quer, ele precisa saber o que quer. A partir do momento que ele diz: ''Não quero mais engenharia, mas eu sei que quero administração'', ótimo, mas, se sabe que não quer e simplesmente larga para decidir depois o que vai querer, isso é besteira.
A dificuldade que o jovem tem para tomar esse tipo de decisão é devido ao peso da escolha junto à falta de experiência?
Todo mundo começa sem experiência. Se o jovem não tem essa experiência, mas procura obter conhecimento, com seriedade e com verdadeira atenção, é evidente que o aprendizado virá. Ele vai errar e aprender com os erros, vai acertar e aprender com os acertos e assim irá construindo o caminho dele.
O ruim é estar sempre protegido pela família e não ser cobrado para tomar suas decisões. Chega a hora, o jovem com 20, 25 anos está atrasado e não sabe o que quer da vida. A superproteção existente em algumas famílias é algo muito sério. A geração atual recebe muita proteção dos pais e com isso é despreparada comportamentalmente. As empresas os reprovam na entrada porque o comportamental que as empresas estão valorizando hoje é outro. Isso impede que os filhos aprendam a se defender, a tomar decisões e a enfrentar as intempéries do mundo corporativo.



Os limites do lar não são os mesmos da empresa


O ruim é estar protegido e não ser cobrado para tomar as decisões

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