HONDURAS - Não há solução à vista
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Érika Gonçalves<br> Reportagem Local 
Independentemente de como o presidente deposto Manuel Zelaya foi parar na embaixada brasileira em Honduras, o fato é que a ocupação causou problemas aos brasileiros residentes no país.
Para saber como está a situação, seis deputados brasileiros embarcaram ontem para Honduras. Marcondes Gadelha (PSB-PB), Maurício Rands (PTPE), Ivan Valente (P-Sol-SP), Bruno Araújo
(PSDB-PB), Cláudio Cajada (DEM-BA) e Raul Jungmann (PPS-PE) devem conversar com parlamentares hondurenhos e com a comunidade, mas não pretendem interferir na situação política.
O deputado paranaense Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) é presidente do Fórum Interparlamentar das Américas e faz uma análise da viagem e da situação do Brasil nesta crise.
Como o senhor avalia a situação de Honduras?
Eu acompanho com dupla visão, primeiro como deputado e segundo como presidente do Fórum Interparlamentar das Américas, com a mesma preocupação manifestada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e pela ONU (Organização das Nações Unidas) . Nós repudiamos o que aconteceu lá, aprovamos um manifesto na Assembleia Geral da semana retrasada e estamos acompanhando e discutindo.
Como o senhor acha que os dois parlamentos podem ajudar a resolver a situação?
Nós que exercemos a diplomacia parlamentar internacional temos um papel muito grande. Aonde os chefes do poder executivo não conseguem entrar, nós entramos. A ida dessa delegação vai ser muito importante, pode estabelecer canais importantes, mas lembrando que nós já temos moção aprovada pelo próprio Plenário de repúdio à atual situação.
Qual é a solução para o Brasil? Conceder asilo político ou nos isentarmos?
Agora temos que segurar as pontas, pedir a Deus e torcer para não acontecer nada. Não há solução à vista.
O senhor não vai viajar? Por quê?
Eu não estou na comissão representativa. Minha entidade tem outra atuação. Essa é uma atuação do Parlamento do Brasil junto a Honduras. Eu trato das questões de toda a América. Minha posição é institucional. Eu precisaria de uma diretriz do meu comitê executivo para fazer esse tipo de ação.
Como o senhor avalia essa crise para o Brasil?
É uma situação que o Brasil nunca tinha passado e que pela força do poderio econômico, cada vez mais assumindo um papel de destaque no cenário americano e mundial, é natural que acabe acontecendo isso. Pode-se dizer o governo do Brasil não autorizou, não negociou antes? (referindo-se à ocupação da embaixada brasileira). A boataria aqui em Brasília é muito grande, de que o (Marco Aurélio) Garcia teria negociado isso com o (Manuel) Zelaya e criado um giganstesco impasse junto ao próprio (pessoal do) Itamaraty, que são profissionais. O Itamaraty do Brasil é uma das diplomacias mais bem preparadas do mundo.
O senhor acha que o Zelaya chegou mesmo de surpresa na embaixada?
Olha, há mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa vã consciência possa imaginar. Hoje o boato que há aqui em Brasília é de que teria dedo do assessor Marco Aurélio Garcia lá. Diga-se assim, uma eminência parda desse processo internacional, que acaba tumultuando as relações ordinárias. O Brasil é um país pacifista, que tem relações com todos os países do mundo. É a potência do entendimento, da concórdia e não temos vocação nenhuma para ser um país belicista, muito pelo contrário.
O senhor acha que o Brasil pode sofrer algum tipo de embargo ou retaliação por causa dessa crise?
Não, pelo contrário. O que aconteceu, sendo um problema na embaixada do Brasil, acaba rendendo a solidariedade dos outros países. O mundo inteiro está contra os acontecimentos em Honduras. Se pensarmos onde houve erro, podemos dizer que dos dois lados, primeiro do Zelaya, que forçou a barra querendo mexer na Constituição, que era uma cláusula pétrea em Honduras. Segundo, o processo de afastamento dele foi um rito sumaríssimo, também foi um erro monumental em colocar um presidente constitucional eleito para fora. Foi uma sucessão de erros.
Como o senhor avalia a restrição à imprensa de lá, com o fechamento de uma rádio e uma TV, promovida pelos atuais ocupantes do poder?
Isso é grave, é mais um ponto contra o atual governo, que está no poder. O estado de sítio também é ponto contra eles. A repressão, também. Imagina se houver eleição. Com o estado de sítio, aí que a comunidade internacional não vai reconhecer (o vencedor) de jeito nenhum.


