Homicídios não solucionados
O Estado do Paraná lidera o ranking de homicídios não solucionados. O País tem 60 mil inquéritos instaurados sem conclusão e o Estado responde por 15% do total. A informação foi divulgada durante a semana, com base em estudo do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O promotor de Justiça Sérgio Markowicz, gestor da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública, tem uma visão clara a respeito. Ele diz: A falta de efetivo é a principal explicação para tão alto número de inquéritos pendentes. Ele diz mais: Faltam policiais civis no Paraná.
Essa questão dos homicídios não solucionados é apenas uma evidência do que ocorreu com a segurança pública nos últimos anos no Paraná. E faz parte de um problema de gestão que afetou outras áreas como educação e saúde. Corrigir isso é um grande desafio ao novo governador, que ainda pega uma infraestrutura combalida e uma máquina que precisa ser azeitada para fluir e recuperar o tempo perdido. Especialmente no caso da segurança, como mostram os números relacionados aos homicídios que expõem um problema maior na sua origem: a violência que não foi contida.
Desafios são muitos, para citar apenas a questão da (in)segurança. E a equipe de Beto deve ter essa radiografia. A sociedade espera que tal realidade esteja clara para o futuro governo e que ele já tenha um plano de ação. Não se concebe que se perca mais tempo em diagnósticos. Nem em discursos como o governo anterior. É preciso atacar o problema. Depois de tanta conversa fiada sobre segurança, a população criou uma certa rejeição - intolerância mesmo! - aos discursos engraçadinhos, às promessas e frases de efeito, como dizer que não existe violência e que a sensação de insegurança é criada pela imprensa.
No caso específico dos homicídios não solucionados, vale pegar uma carona na declaração da juíza e membro do CNMP, Taís Ferraz: Devemos jogar luz sobre as dificuldades enfrentadas na apuração desses crimes e buscar soluções conjuntas. Ela referia-se ao problema nacional. Tal afirmativa pode indicar o caminho para dotação de recursos com essa finalidade, caso o Estado não os tenha.





