HOMEOPATIA - Remédio ou placebo?
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sábado, 05 de fevereiro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Grupos de manifestantes de várias partes do mundo vão tomar hoje uma overdose de remédios homeopáticos. A Campanha 10:23 (constante de Avogrado) pretende provar que o tratamento não funciona. O protesto, que começou no ano passado na Inglaterra, é organizado pela Sociedade Merseyside de Céticos (MSS, na sigla em inglês) e no Brasil deve acontecer em São Paulo, Porto Alegre (RS), Natal (RN). Outras 60 cidades de 25 países devem aderir.
Kentaro Mori, organizador do protesto no Brasil, lamenta que a homeopatia seja reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina e tampouco reconhece como reais as melhoras que pacientes eventualmente apresentem após usar medicamentos homeopáticos. ''Testes clínicos demonstram que a melhora associada a tratamentos homeopáticos não é maior do que a obtida pelo simples efeito placebo'', justifica.
Por que fazer um protesto contra a homeopatia?
Nossa intenção ao participar deste protesto global é conscientizar o público para a questão. Esses produtos homeopáticos, receitados e vendidos como remédios, não possuem validação científica. Pelo contrário, não só análises clínicas extensas mostraram que a homeopatia não possui efeito diferente de um mero placebo - pílulas de açúcar - como os próprios fundamentos da homeopatia significam que os produtos mais ''potentes'' são pura água ou açúcar.
O movimento também é contra outras terapias alternativas? Por quê?
A Campanha 10:23 tem como foco a homeopatia, mas o alerta e a busca de conscientização são mais gerais, contra todo e qualquer tipo de tratamento com pouca ou nenhuma base sólida, como, por exemplo, florais de Bach, cromoterapia, Reiki e afins.
Alguns pacientes relatam efeitos indesejáveis ou não obtêm resultado com medicamentos alopáticos e, por isso, optam pela homeopatia. Qual sua sugestão nesses casos?
Cada paciente é único, cada condição é particular, e remédios com ingredientes ativos, que não são puro açúcar, podem sim ter efeitos colaterais. É responsabilidade do paciente, e principalmente de seu médico, avaliar e administrar os prós e contras de cada tratamento. O que não é realmente uma solução é deixar de tomar um medicamento necessário, ainda que tenha efeitos colaterais, para passar a ingerir um produto que não fará nenhum efeito concreto.
Como se explica a melhora que alguns pacientes relatam após usar homeopatia?
Testes clínicos demonstram que a melhora associada a tratamentos homeopáticos não é maior do que a obtida pelo simples efeito placebo, provocado quando pacientes melhoram apesar de terem recebido apenas tratamentos simulados, incluindo pílulas de açúcar.
Crianças e animais não têm consciência de que estão tomando o remédio e mesmo assim apresentam resultados. Não seria uma prova de que o tratamento homeopático surte efeito?
Não, porque a avaliação é feita, não raro, pelos próprios homeopatas, que estão sujeitos a vieses conscientes ou não. A maneira realmente rigorosa e objetiva de avaliar a eficácia de tratamentos clínicos é através de ''testes cegos'', em que tanto os pacientes como os próprios pesquisadores não podem saber quem recebeu tratamento e quem fez parte do grupo de controle até depois que os dados são coletados.
A homeopatia é especialidade médica reconhecida. O Conselho Federal de Medicina, portanto, está equivocado, uma vez que o tratamento supostamente não traz resultados?
Lamentamos que as associações médicas no Brasil reconheçam a homeopatia lado a lado de especialidades de eficácia mais do que comprovada. Pensamos que a medicina deveria ser fundamentada na ciência médica, baseada em evidências objetivas e rigorosas. E a evidência, apresentada por associações médicas internacionais como a Cochrane Collaboration, demonstra ser a homeopatia, na melhor das hipóteses, um simples placebo.


