O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush que, dizem, não teria sido eleito regularmente em 2000, contratou uma especialista americana em marketing para ''vender'' aos muçulmanos e árabes, conforme o jargão da marquetagem, uma boa imagem dos EUA. Esse trabalho, feito com sucesso pelos filmes de Hollywood, em todo o mundo, tornou simpáticos dois ratos: Mickey e Jerry.
A propaganda, arma poderosa, consegue, pois, tornar herói, na mente de adultos e crianças, até um animal nocivo, transmissor de graves doenças, mas, em vilão, seu inimigo doméstico natural. Aliás, a mesma arma é questão de dinheiro e transforma, nas eleições, pessoas sem valor em personalidades imprescindíveis à vida pública de um país, que, assim, se elegem, para desgraça da nação.
O criador dos símbolos de cinema citados acima é notório admirador do fascismo e deve ter agido intencionalmente, ao mostrar os traços comuns entre os roedores perigosos e os maus políticos. Esses também corroem o tecido social com voracidade insaciável, e, às vezes, com simpatia, agravam as sociedades injustas. Vejam só: no Brasil, em sete anos, os bancos somaram lucros acima de US$ 20 bilhões, mas o número de brasileiros na miséria passou de 49,3% para 52%.
Bush não precisaria de marquetagem se combatesse, com seu poder e as riquezas nacionais, a miséria do mundo, a começar pela existente em seu próprio país, e se ajudasse o infeliz povo afegão, em vez de lhe vender fantasias. Ou se suspendesse o bloqueio imposto a Cuba, em nome de princípios políticos, que, de resto, são ignorados em relação à Arábia Saudita, ao Kuwait e ao Paquistão.
Ao presidente Fernando Henrique Cardoso bastaria menos: governar com a visão de brasileiro preocupado com a sorte de seus semelhantes no país. Sem afrontar a ordem jurídica via medidas provisórias, que deixarão o Brasil, pelo menos durante seis meses, à mercê de sua vontade pessoal, sem garantir a todos o respeito aos princípios do Direito, como o de fazer greve, ter salários condignos na forma da lei, e não de acordos eventuais, entre os raros poderosos, de um lado, e 70 milhões de trabalhadores debilitados pela crise nacional, do outro. Enfim: basta a FHC começar a agir socialmente no Brasil do modo como entende que os governantes de outros países devem agir em relação a nossos problemas econômicos.
É só tratar humanamente os seres humanos e os ratos como ratos, não como roedores, que talvez o divirtam, mas destroem a imagem jurídica e política do País.


- RUBEM AZEVEDO LIMA é jornalista em Brasília

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