Na última semana, a Câmara Municipal de Londrina voltou a ser alvo de polêmica. Desta vez, a discussão foi focada na concessão do título honorífico de ‘‘Cidadão Honorário de Londrina’’ ao cantor Luan
Santana.
  Fenômeno da música pop, o jovem de 21 anos nasceu no Mato Grosso e fixou residência na cidade há cerca de dois anos. Apesar da idade, Luan Santana já vendeu milhões de cópias e foi eleito neste mês o melhor cantor do País por um programa global de audiência nacional. A eleição ocorreu apenas na internet.
  No entanto, não se trata de discutir o mérito do jovem cantor para receber a homenagem. Na justificativa do texto consta que Luan Santa contribuiu com importantes projetos sociais desenvolvidos na cidade, como doações à APS Down, Apae e ao Instituto do Câncer, que totalizaram cerca de
R$ 250 mil.
  Neste caso, ele se enquadra perfeitamente na lei municipal 11.044/2010 que, em seu artigo 1º estabelece as regras para a concessão do título que pode ser conferido ‘‘tanto em vida como post-mortem, a personalidades nacionais ou estrangeiras que tenham prestado serviços relevantes, de conhecimento público e notório, em qualquer ramo de atividade, beneficiando o Município de Londrina.’’
  A discussão deve ser focada nos atos do Legislativo. A conclusão a que se chega é que, em ano eleitoral, mais valem os holofotes. Conceder uma honraria a um cantor famoso certamente coloca a Casa em evidência, atraindo a atenção da mídia e dos eleitores. No entanto, neste caso a atitude não rendeu apenas dividendos eleitorais, uma vez que muitos eleitores se manifestaram contrariamente à proposta. O papel de um vereador vai muito além da concessão de homenagens e de projetos para nomear ruas e logradouros públicos.
  O Legislativo tem importantes funções, inclusive previstas na Constituição Federal, sendo a principal delas a fiscalização dos atos do Executivo e atuação na elaboração de leis constitucionais. Ao optar pela concessão de homenagens e honrarias, a mensagem que passa à população é a de que a preocupação está apenas nos dividendos eleitorais. Este é um ano eleitoral e os eleitores também devem se preocupar com a questão, fiscalizando os atos de seus representantes.

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