Homem é culpado pelo fim do leite e do mel
Se eu tivesse a cabeça metafísica, chegaria a perguntar se a morte das abelhas não é um presságio de outras desgraças. Isso faz pensar na fábula de Fausto, esse homem que acreditou ser capaz de roubar os poderes dos deuses e se transformar no próprio Deus. É a indústria dos homens (estes pesticidas, estas obsessões do rendimento, do lucro) que está enlouquecendo as abelhas.
Há muito tempo atrás, Javé ordenou a Moisés que conduzisse seu povo até a terra de Canaã. Explicou-lhe que no país de Canaã haveria uma coisa assombrosa, porque era um país onde corria leite e mel. Moisés achou isso uma boa idéia: este leite e este mel, que dão água na boca. E empreendeu a caminhada. Pobre Moisés! Depois de caminhar durante muito tempo, ele avistou efetivamente desde o alto do Monte Nebo a terra de Canaã. Mas morreu antes de nela entrar. Nenhuma chance!
Somos todos como Moisés. Contemplamos a terra prometida há séculos e séculos, mas não chegamos jamais a entrar nela. E agora temos uma nova infelicidade: os dois ingredientes que Javé colocou na terra de Canaã, o leite o mel, estão ambos ameaçados de se estragarem por causa da cobiça ou da estultice das sociedades mercantilistas.
Na Europa, fizemos com que as vacas - que Deus criou herbívoras - comessem farinhas animais. Imediatamente, a vaca, que gosta tanto de produzir leite, ficou louca. E, eis que agora as abelhas não encontram mais suas colméias e não sabem mais fazer o mel!





