O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia hoje o julgamento dos principais réus do mensalão, maior esquema de compra de apoio parlamentar ocorrido no governo Lula. Desta vez, o alvo dos ministros do Supremo será o chamado núcleo político do primeiro mandato do ex-presidente capitaneado pelo então ministro da Casa Civil José Dirceu, chamado no processo de ''chefe da quadrilha'' pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Também estão incluídos entre os 23 reús o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PT José Genoíno e os ex-deputados Valdemar da Costa Neto e Roberto Jefferson.
Curiosamente, às vésperas da sessão do STF a revista Veja traz reportagem na qual o publicitário Marcos Valério dá uma de ''homem-boma'' e apresenta nova versão ao caso: afirma que Lula não só sabia do mensalão como também o chefiava, fato que o empresário e outros envolvidos no esquema negaram desde o início das denúncias. Já condenado por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa a penas que podem passar dos cem anos de prisão, Valério conta à revista que o pagamento de propina a políticos da base aliada do governo movimentou R$ 350 milhões, tudo por meio de doações clandestinas que teriam sido avalizadas por Lula. O empresário, chamado de operador do mensalão, só agora estaria ''abrindo o jogo'' depois das tentativas de postergar o julgamento do mensalão caírem por terra.
A acusação do envolvimento de um ex-presidente da República num esquema de cooptação de parlamentares é gravíssima e, com certeza, será apurada nesse que promete ser o mais longo e importante julgamento do Supremo. Durante as denúncias - e mesmo agora - Lula e pessoas próximas afirmam categoricamente que o ex-presidente nada sabia do que se passava na sala de José Dirceu no Palácio do Planalto.
A sociedade brasileira precisa saber realmente o que de fato ocorreu nesse obscuro período político. E, por mais que se acuse Valério de denuncismo suicida por nada ter a perder porque já está condenado, espera-se que o ministros do Supremo mantenham a firme postura de passar o País a limpo e punam exemplarmente os envolvidos nesse escandaloso esquema de corrupção.

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