Hoje só a paz das consciências
Passada a fase turbulenta da campanha do segundo turno nos quatro maiores municípios do Paraná dois no sul e dois no norte hoje prevalece a paz das consciências. No silêncio da mini-câmara, apenas ele diante da urna, o eleitor já não será envolvido por influências externas e escolherá o candidato (ou eventualmente votará em branco) por sua livre vontade e sem ingerência. Tudo o que viu e ouviu, durante os dias de pregação eleitoral, certamente serviu-lhe para reafirmar sua posição, ou para reformulá-la, e o dia de hoje será apenas para documentar sua decisão. É um momento em que o exercício da democracia política se manifesta, embora o processo poderia ser ainda melhor aperfeiçoado se os cidadãos formassem nas fileiras das agremiações partidárias e participassem da seleção de candidatos. Mas filiar-se ou não é também uma livre escolha, e à medida que a cultura da cidadania avança, mais o sistema irá se purificando, com maior participação do cidadão em todas as fases do processo. Será mais refinada também, com toda certeza, a qualidade das corporações partidárias e por extensão dos candidatos. Uma verdade histórica e indiscutível é que é o meio social que produz os seus políticos, não sendo possível modificá-los se esse mesmo meio que são os cidadãos que formam o tecido da pátria não for se modificando primeiro. Nada é mais acertado que a frase conhecida no mundo inteiro de que cada povo tem o governo que merece. Isto não é uma sentença mas apenas a sábia verdade de que é do ambiente da massa social, pela decisão de sua maioria representativa, que os governantes são extraídos. Do contrário, seria preciso ir buscá-los em outra esfera, porém eles seriam estranhos e alienados, ademais sem a garantia de que não acabariam se convertendo aos costumes do meio. Tudo isso se traduz na fórmula simples da participação. Se uma sociedade se melhora e participa mais assiduamente da vida política, os administradores públicos dali resultantes (e eles não poderão resultar de outra fonte) serão com certeza melhores e mais atuantes; se essa mesma sociedade se deteriora, seus estratos sociais serão similares. Há que policiar e cobrar os governantes, na mesma intensidade em que ocorre a participação e a evolução da consciência de cidadania. Os caminhos da democracia política indicam para essa mão dupla, formada pela atuação intensa de governantes e cidadãos, ou o regime resultará capenga na verdade uma anomalia muito presente no Brasil, cujo povo muito reclama e pouco participa no que respeita a muitas de suas obrigações patrióticas. O voto é uma das participações, mas não deve findar-se em si mesmo após o ato cívico de um dia como hoje.





