HIPERTENSÃO Controle nunca é demais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Uma doença silenciosa, que atinge um em cada três brasileiros e é responsável por 40% dos infartos e 80% dos acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Estamos falando da hipertensão, cujo dia nacional de combate e prevenção é lembrado hoje. Prevenção, aliás, deixada de lado por muitos pelo fato de raramente apresentar sintomas.
Em entrevista à FOLHA, o cardiologista Ricardo José Rodrigues derruba alguns mitos relacionados à doença, entre eles o fato de que sentir dor de cabeça é sinal de hipertensão.
Ele fala ainda da ligação do uso de medicamentos com a hipertensão, predisposição genética, e alerta: ''É uma doença grave se não for controlada, e as pessoas devem ficar ligadas, estabelecer uma rotina e criar hábitos saudáveis''.
Existe um principal grupo de risco para casos de hipertensão?
Ainda são as pessoas mais idosas. À medida que a idade vai passando, aumenta a incidência. Depois dos 50 anos, o índice passa dos 50%, enquanto nas crianças fica em torno de 5%. Uma soma de fatores causa a hipertensão, como estresse, obesidade. Outro problema é a alimentação, muito sal na comida. Quando migramos daquela comida feita em casa para os produtos industrializados, passamos a consumir mais sal.
Então os jovens não estão livres, porque vemos cada vez mais casos de obesidade, pessoas que se alimentam mal...
Aqui em Londrina já observei vários casos de jovens com hipertensão em decorrência da má alimentação. O universitário vem de fora, chega na cidade e começa a comer comida rápida, pronta, exagera na bebida e fica hipertenso com 20, 22 anos. Por isso tratamento e prevenção deve ser feito o mais cedo possível. Começa já quando a mãe ensina a criança a comer. Outro hábito que as pessoas devem criar é de medir a pressão arterial das crianças. Não adianta esperar, porque a hipertensão é uma doença silenciosa, raramente tem sintomas.
O fato de não sentir dores é o que mais colabora para as pessoas não se preocuparem?
Com certeza, prejudica o diagnóstico. Tem de medir a pressão arterial com frequência. Outro mito que precisa ser derrubado é que ter dor de cabeça é sinal de hipertensão. Nem sempre. As pessoas param de tomar remédio para pressão alta quando deixam de sentir dor de cabeça.
Falando de prevenção, prática de exercícios físicos e alimentação controlada são as principais ferramentas?
Basicamente esses dois pontos. Continuar magro, com uma boa alimentação, evitando o consumo de sal, gordura saturada e fazendo exercícios regularmente. Estabelecer uma rotina e criar hábitos saudáveis. É uma doença grave se não for controlada, e as pessoas devem ficar ligadas. Melhorou muito a prevenção, porque os postos de saúde estão disseminando mais a informação e o acesso das pessoas à saúde. Mas o alerta é permanente.
E quais os cuidados com medicamentos? Muitos acham que estão se medicando para evitar doenças e acabam estimulando a hipertensão?
Alguns antidepressivos, medicamentos para emagrecimento e hormônios podem levar à hipertensão. Mas esse grupo responde por uma quantidade pequena, apenas 5% dos casos.
Existe ligação genética com os casos de hipertensão?
Achamos que sim. Mas, se tem a questão genética, por que algumas pessoas desenvolvem mais cedo, outras mais tarde? Devido ao ambiente em que vivem. Há estudos com gêmeos univitelinos em que um ficou hipertenso aos 40 anos e outro aos 50, pois os estilos de vida eram diferentes. A doença é multifatorial. São vários fatores que podem influenciar, e a genética é um deles.


