Enquanto muitos poluem o ar e as águas e degradam a terra, pesquisadores e cientistas se desdobram no combate a esses estragos. Mais que profissionais, eles são amantes da natureza e, pelo impulso de ideais, vão executando missões restauradoras e restabelecendo a melhoria ambiental. Sexta-feira este Jornal mostrou um projeto pioneiro que se realiza em Ponta Grossa para higienizar e utilizar as águas de esgoto na irrigação da agricultura - uma prática que, conforme narra o repórter Rafael Urban, já se realiza há mais de um século na China e no México.
  Esse projeto é coordenado pela Sanepar e pela Universidade Federal do Paraná e conta com a ajuda fundamental da especialista Blanca Jimenez, com vinte anos de experiência nesse trabalho e que comanda os estudos da área na Universidade Nacional Autônoma do México. Ela é convidada da Universidade paranaense e se demorará ainda três semanas no Paraná, para dar sua contribuição a esse programa, que é novo no Brasil quanto ao uso dessa água nas lavouras. O objetivo é implantar em Ponta Grossa uma usina de higienização da parte líquida, um modelo que poderá ser adotado também em outras regiões do Estado. Existem no México 240 mil hectares irrigados por esse processo.
  A água no mundo não se esgota e existe na mesma quantidade desde a origem da Terra, mas vem sendo contaminada por resíduos que a tornam imprópria para uso e poderá escassear inclusive porque o aumento da população centuplicou o consumo. O homem ainda não descobriu uma fórmula econômica de dessalinizar a água dos mares, por isso medida como esta da reutilização da água de esgotos em nível oficial - embora um pequeno passo - é um indicador de caminhos que será preciso seguir, para manter no mundo a regularidade do abastecimento.
  Porque, além da poluição e do maior consumo, também a agricultura tem gerado o esgotamento de rios, pela canalização para as plantações de águas bebíveis.
  O aproveitamento da água de esgoto tratada atenua um pouco a sangria de mananciais, ao tempo em que beneficia a produção de mais alimento (no México houve aumento de volume e de produtividade), e esses dois bens indispensáveis são os que dão sustentação à humanidade.
  Certamente que a usinagem dessas águas é um complemento, porque o fundamental é que as cidades tenham sistemas de canalização de esgotos, e esta é ainda uma grande deficiência no Brasil. Mas importa é que se realizem esses movimentos de recuperação das águas, porque um avanço vai puxando outro.

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