Hidroxicloroquina – Devemos esperar todos os sinais ficarem verdes?
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terça-feira, 14 de abril de 2020
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Temos uma comprovação científica robusta nos moldes da medicina baseada em evidência (MBE) para o uso da hidroxicloroquina? Não. A MBE trabalha com níveis de evidência e, para se obter o mais alto nível de evidência os estudos devem ser realizados em um número grande de pessoas, serem randomizados e duplo cegos. Randomização é o sorteio dos doentes que receberão o medicamento ou o placebo; duplo cego é quando nem o pesquisador e nem o paciente sabe quem está usando o medicamento ou o falso remédio.
De fato, ainda temos poucos estudos para confirmar sua eficácia frente ao beta- coronavírus. Os estudos até agora provam sua eficiência, porém o nível de evidência ainda é baixo a moderado, segundo a classificação de nível de evidência pelo sistema GRADE.[1] Haveria necessidade de um número muito maior de pacientes tratados e de forma sistemática para atingir um nível alto de evidência.
O medicamento é seguro, pois já é usado há muito tempo. A cloroquina, o sal original, é usado para o tratamento da malária desde 1932 e a hidroxicloroquina, um derivado com melhor distribuição tecidual e menos efeitos adversos, é usada para o tratamento do Lúpus e da artrite reumatoide para uso contínuo.
Apesar da segurança consagrada pelo uso, não se deve tomar o medicamento por conta própria; pode ser necessária a realização de eletrocardiograma antes e durante o tratamento, exames laboratoriais, avaliação e acompanhamento clínico, principalmente se o paciente tiver comorbidades.
Outro ponto importante é o isolamento de pessoas infectadas e para tanto há necessidade da realização de maior número de testes diagnósticos. A quarentena foi importante para diminuir o contágio inicial e nos preparamos com equipamentos de proteção individual (EPI), testes diagnósticos e leitos hospitalares e de UTI e para as autoridades sanitárias se estruturarem no combate ao Covid-19; agora, estuda-se o retorno gradual às atividades para que as consequências econômicas sejam mitigadas. Porém, é necessária a manutenção do distanciamento social e medidas higiênicas, principalmente o uso de máscaras e lavagem frequente das mãos.
Em minha opinião, não há porque não a usar e também não iniciar o medicamento precocemente, pois os benefícios superam em muito os possíveis efeitos adversos; afinal de contas, não há necessidade de se fazer um estudo duplo cego e randomizado para se provar a eficácia do uso do paraquedas.
Alberto Toshio Oba, médico e secretário geral do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná


