Esta semana, São Paulo comemora a conquista da ampliação da extensão navegável na Hidrovia Tietê-Paraná, para 2,4 mil quilômetros, com a inauguração da Eclusa de Jupiá, que permitirá a navegação entre Piracicaba (SP) e Foz do Iguaçu (PR). Com a construção da hidrovia, o Estado passa a ter maior capacidade para o escoamento da produção do Mercosul, passando na frente do Paraná, que tem um potencial hidroviário riquíssimo mal explorado.
Em 95, apresentei um projeto de lei que prevê a obrigatoriedade da realização de estudos e projetos de navegação fluvial e a instalação de eclusas e outros dispositivos para represamento de rios navegáveis ou com possibilidades de navegação. Segundo o projeto, atendendo a política dos recursos hídricos, o Estado, a União e os municípios devem articular-se para viabilizar implantação de instalações hidrelétricas e o aproveitamento da navegabilidade dos cursos d’água.
O Paraná vem investindo cada vez mais em barragens para aproveitamento de energia elétrica, muitas vezes desconsiderando a questão da navegação. Uma eclusa ou uma obra de transposição de desnível representa 5% a 15% do valor do empreendimento hidrelétrico.
Por isso, sempre defendi o sistema de gestão integrada que abrange o múltiplo aproveitamento das águas paranaenses, em que temos de levar em conta a geração de inúmeros benefícios, tais como: energia hidrelétrica, transporte hidroviário, controle de inundações, irrigação, piscicultura e turismo; fatores que promovem, sem dúvida, o desenvolvimento regional.
Outros países já provaram a obtenção de grande crescimento industrial e agrícola das áreas onde foram implantados sistemas de navegação fluvial. No Brasil, apesar de possuir um potencial de vias navegáveis estimado em aproximadamente 40 mil quilômetros, o setor de navegação fluvial corresponde a apenas 1% da movimentação total de cargas do País.
Mas, aos poucos, esta mentalidade está mudando - um grande exemplo é esta iniciativa de São Paulo, que deve gerar nos próximos cinco anos, segundo a ADTP - Agência para o Desenvolvimento Tietê-Paraná, um potencial de negócios no valor de 121,5 milhões dólares, em vários setores.
Estudos mostram que o transporte hidroviário é quatro vezes mais econômico que o ferroviário e dez vezes mais barato que o rodoviário. Tem baixo custo de conservação e pode contribuir para a redução do número de acidentes nas estradas.
O baixo custo das operações de transporte via São Paulo (graças à Eclusa de Jupiá) deverá, com certeza, absorver grande parte dos negócios de exportação e importação, que, ao invés de utilizarem o Porto de Paranaguá para chegarem ao destino, podem vir a optar pelo escoamento através do Porto de Santos. Além disso, os benefícios serão incontáveis quando ocorrer a ocupação industrial no percurso desta hidrovia, como, por exemplo, o aumento da arrecadação de ICMS dos municípios ao longo da via fluvial.
É importante ressaltar que este tipo de obra minimiza o impactos negativos ao meio ambiente, provocados pelo represamento de um rio, já que não impedem a transposição da fauna aquática.
Ainda está em tempo do Paraná acordar e aprender a utilizar em seu benefício e de forma racional seus recursos naturais, principalmente quando está em jogo uma questão tão importante como a integração total com o Mercosul.

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