Refiro-me ao documento divulgado pela Folha de Londrina no dia 30 de setembro sobre o título ''Estudo do século 20 detalha desigualdade social'' para comentar sobre o que considero de maior relevância como ponto de reflexão. A reportagem relata que em 1960 a renda dos 10% mais ricos era 30 vezes a renda dos 10% mais pobres e que 30 anos depois saltou para 60 vezes. Outras publicações dizem que hoje os 10% mais ricos têm renda 47 vezes à dos 10% mais pobres.
A diminuição dessa distância e a melhoria das condições de vida dos mais pobres é um grande desafio para nossos governantes. Um dia desses assisti a uma entrevista do presidente do México em um canal de televisão. Ele comemorava o fato de lá eles terem conseguido reduzir a diferença de renda, dos mais pobres para os mais ricos, de 25 vezes para 21 vezes. A preocupação do presidente, governadores e ministros, instituindo programas direcionados a socorrer essas famílias, ameniza. Mas é bom definir quais são as principais causas que levaram a esse verdadeiro flagelo de boa parte da população brasileira.
Na minha opinião, três motivos contribuíram, fortemente, para o problema: aumento de natalidade em famílias muito pobres, baixo grau escolar e cultural da população mais pobre com um número ainda elevado de analfabetos e a falta de ousadia dos governos das últimas décadas que não optaram por investir pesado na construção de rodovias e ferrovias em larga escala, especialmente em ferrovia, que utilizaria uma gama enorme de mão-de-obra menos especializada, além de proporcionar transporte de passageiros e cargas mais baratos.
Verifica-se que aqueles que descenderam de famílias que elegeram a escola como principal meio para um futuro melhor tiveram a consciência de terem os filhos para os quais pudessem dar qualidade vida e estudo, sem privar suas famílias das necessidades básicas. Ao passo que aqueles que não seguiram esse caminho continuaram tendo muitos filhos. Há famílias com até dez filhos cuja renda não dá para uma pessoa.
Em segundo lugar, houve certa incompetência de alguns governos que podiam ter adotado políticas muito mais agressivas, desde 1980, forçando as famílias a manterem seus filhos nas escolas e difundir uma cultura escolar voltada para enfoques financeiros e econômico-cultural. Por último, culpo os discursos enganadores dos políticos e a ineficácia dos investimentos estruturais do País, muito bem abordado no texto do jornalista René Ruschel na Folha do dia 4 de outubro sob o título ''Capitalista às avessas''.
O que é possível fazer para diminuir esse enorme obstáculo que separa nossa gente e dificulta o desenvolvimento do Brasil? Em primeiro lugar, construir ferrovias, pontes e estradas. Por quê? Porque assim estaremos abrindo caminho para que grandes indústrias do ramo passe a empregar, maciçamente, como está acontecendo nos estaleiros, quase falidos, com a produção de embarcações e plataformas de petróleo. Além disso, empreiteiras estariam contratando mão-de-obra menos qualificada para os trabalhos de limpeza, terraplenagens e colocação de trilhos. Seria um verdadeiro mutirão para recuperar o Brasil.
Também, estaríamos aumentando as distâncias rodoviárias, possibilitando aumento do mercado de automóveis e caminhões. Dar às nossas Forças Armadas maior suporte financeiro para poder absorver os jovens, principalmente os de famílias carentes. Direcionar os recursos de jogos e loterias, para compor fundos de construção, reforma e ampliação de escolas. Melhorar as condições financeiras de professores de 1 à 8 séries e escolas técnicas. Fazer divulgação em massa, direcionada especialmente a famílias pobres, fazendo ver que a única saída para terem um futuro digno é a escola.
Realmente o desafio é grande. Mas se houver boa vontade, principalmente daqueles que detêm o poder, é possível.
DIMAS SOUZA COSTA é administrador de empresas em Londrina

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