Estudo realizado pela Secretaria Municipal de Planejamento constata: Londrina pode perder para Joinville (SC) o status de terceira maior da região sul do País em número de habitantes a partir de 2007. Considerando a taxa de crescimento demográfico de ambos entre 2002 e 2003 1,39% e 1,72%, respectivamente o município catarinense deverá atingir 494.159 habitantes enquanto Londrina chegará a 492.892 habitantes. Ao final de 2003, a diferença entre os dois municípios, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será de apenas 5.758 habitantes: os londrinenses devem somar 467.334 contra 461.576 de joinvillenses.
Para o secretário municipal de Planejamento de Londrina, Marcos de Freitas, essa possibilidade apontada pelo estudo revela o que já se sabia: que Londrina, assim como o interior do Paraná, foi esquecida pela esfera estadual na última década no tocante aos investimentos. ''É natural, pois Londrina sofreu muito com a desatenção do governo estadual e isso influenciou diretamente no nosso crescimento'', destaca Freitas.
O secretário lembra que Santa Catarina, ao contrário, privilegiou o desenvolvimento de todo o Estado, o que fica patente quando se compara o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de ambas as cidades. Mesmo com Londrina figurando entre os municípios de alto desenvolvimento, ainda fica bem atrás de Joinville Londrina está posicionada na 189 posição nacional, com IDH de 0,824, e Joinville está em 14º, com índice de 0,857. Levando em conta os parâmetros usados para calcular o IDH, um dos mais discrepantes entre os dois municípios é a expectativa de vida ao nascer, onde entram os homicídios. Enquanto Londrina registrou 162 assassinatos no ano passado, Joinville contou apenas 33 mortes. Os joinvillenses esperam viver, na média, 76,609 anos enquanto os nascidos em Londrina tem esperança de viver 71,371 anos.
O secretário garante que o Executivo municipal está investindo na área social, com programas assistenciais que atendem boa parte da parcela mais pobre da população local. Ele cita o exemplo do programa Bolsa Escola que, somados os cadastros federal e municipal, atendeu quase 40 mil famílias até agosto e injetou quase R$ 600 mil reais na economia local. Na esfera educacional, ele também aponta que foram alcançados avanços importantes, principalmente em relação à evasão escolar, que em 1991 atingia 5,27% do total de alunos matriculados no ensino fundamental e atualmente está em menos de 1%.
Outro ponto destacado por Freitas é que, com a queda da importância econômica do café há cerca de 30 anos, ''faltou sensibilidade para (os londrinenses) acharem outros caminhos para o desenvolvimento''. ''O café era uma âncora. Hoje, precisamos buscar outro norte rapidamente e Londrina tem que buscar ampliar investimentos usando as nossas excelentes condições locais'', prega o secretário. Ele argumenta, por outro lado, que é preciso considerar que Joinville tem uma história de 180 anos e Londrina não chegou nem aos 70 anos. ''Estamos engatinhando dentro desse processo'', comenta.
Freitas reforça que ao contrário do que aconteceu nas últimas décadas, com concentração de incentivos aos setores comercial e de prestação de serviços, é preciso incrementar todos os demais setores produtivos, encontrando o potencial de crescimento de cada um. Na agricultura, por exemplo, onde 95% das propriedades têm menos de 100 alqueires, Freitas afirma que o desafio é fazer com que estas propriedades se tornem autosustentáveis. No segmento industrial, as políticas de planejamento precisam visar não apenas a atração de médias e grandes indústrias mas também dar condições para o fortalecimento das micro e pequenas.
O secretário argumenta ainda que o dado populacional é meramente cultural e mesmo que a estimativa feita pela Secretaria se confirme não terá efeitos no projeto de desenvolvimento pensado para Londrina. Para ele, o que o estudo indica é que o município precisa diversificar cada vez mais seus investimentos buscando incrementar as mais diversas atividades econômicas. E o crescimento do município, completa, ''tem que acontecer em sintonia com o desenvolvimento econômico de toda a região metropolitana, com um plano de ação integrado''.

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