Havia um lago aqui
Havia barro e poeira vermelhos e um curtume que deixava no ar um fétido odor, que tornava desagradável andar por aqueles lados. A lembrança do corretor José Carlos Delalíbera sobre a região do Lago Igapó, na década de 50, parece a descrição da situação atual. Não há mais curtume, é verdade, e nem o cheiro, portanto, é tão desagradável. Mas o olhar perdido do londrinense por aquelas bandas estimula nele vários sentidos: se não há odor, imagina-se um cheiro de algo muito mal feito, capaz de transformar uma das poucas paisagens bonitas da cidade num amontoado de lama; se não há curtume, o que os olhos enxergam é pior.
Ontem completou um ano que o Igapó foi esvaziado. Uma reportagem completa neste caderno, na edição de hoje, conta toda a história do que aconteceu com o lago. Há obras em andamento e, para o cidadão, a expectativa é de que, depois de tanta demora, sejam para resolver o problema que levou ao esvaziamento. Será? No mínimo, é obrigação do Poder Público. O Igapó, inaugurado em 1959, foi um presente que a administração de então deu para a população. Outras gestões não poderão tomá-lo do londrinense. Se obras se fazem necessárias, execute-se. Mas de maneira acertada.
Um ano sem Igapó. Meses que se passam e a cidade vai se tornando suja, esburacada e, consequentemente, triste. Tarde, mas ainda em tempo: alguém tem que fazer alguma coisa.
Walter Ogama





