Haverá um vestibular da UEL?

Alamir Aquino Corrêa
Nos últimos anos, a universidade tem discutido sobre a viabilidade de fazer seu próprio vestibular, saindo da sombra da notável Fundação Carlos Chagas. Várias mudanças foram propostas ao longo do ano passado, além das várias sugestões feitas em anos anteriores. Aos poucos, percebeu-se não só necessário à Universidade fazer seu vestibular, como sinal de maturidade acadêmica, como também elegante resposta da Administração aos anseios da massa crítica de nossa instituição, que percebe falhas no processo até agora efetuado, pois convive obviamente logo a seguir ao processo com aqueles agraciados pela almejada classificação no vestibular.
É hora de se ver, então, em que pé estamos. Foi decidido que aos poucos a UEL fará o seu vestibular, inicialmente por meio de um período de convivência com a UFPR, implementação de uma estrutura interna com pareceristas externos, e finalmente sua independência, quando atuará em todos os segmentos. Registre-se a necessidade salutar de manter talvez o aconselhamento e a observação de outras instituições acadêmicas.
Estamos todos felizes com isso – mas como em todo processo novo, algumas decisões já tomadas se mostram um tanto peculiares. Está claro que o sistema deve se modernizar e discutir novos vieses, e para isto há de se levar algum tempo, mas surpreende a informação de que sugestões longamente debatidas, já aventadas em vestibulares anteriores, tenham sido nova e sumariamente descartadas em nome de uma acomodação dos cursinhos e escolas de ensino médio, ainda não preparados. É como se pensássemos que qualquer acontecimento novo na ciência precisasse de tempo (10 anos ou mais) para chegar até os bancos escolares – talvez seja isso um ranço da tradição escolar jesuítica, embora olhos mais argutos pensem imediatamente em entraves econômicos (contratação de outros professores, edição de novas apostilas, etc.).
Se somos consultados, enquanto docentes da UEL, sobre como queremos o vestibular, respeitadas as paixões, o mínimo que esperamos é uma resposta mais séria, mais cuidada, mais refletida que simplesmente ‘‘nunca houve esse assunto’’.
Um outro problema que corre já no Paraná nas conversas à boca pequena é o ‘‘qualis e o quod’’ da Comissão (se é que existe assim juridicamente falando) da UEL, responsável pelos conteúdos e confecção das provas – afinal quem são e como foram indicados. A recente classificação da UEL como quarta instituição nacional e a primeira do sul do país exige o maior cuidado na escolha de tais representantes. Afinal, esta Comissão está a conviver com professores de outras instituições – o que dizem lá por nós, e depois eles de nós, é o que construirá a imagem de nossos docentes.
Não se quer dizer aqui que tudo deve ser transparente (em todas as instituições que conheço, não se sabe publicamente quem são os elaboradores de questões, os peritos de redação e conteúdo das questões); mas o mínimo de participação da UEL deve acontecer – e quando digo participação, quero dizer consulta aos pares. Afinal, se a instituição tem um quadro docente capacitado e hierarquizado por disciplinas, são os pares em cada uma dessas disciplinas que devem indicar aqueles dentre nós, docentes da UEL, mais indicados para atuar num processo de tal monta e responsabilidade. Quero crer que não é possível a qualquer docente ser capaz de indicar um docente de uma outra área, exceto feito aos QIs (quem indica), e espera-se estar a UEL distante de tais procedimentos e práticas. Se, enfim, somos neófitos na edição própria do Vestibular, é de bom tom que haja um bom começo, e nada melhor que uma transparência nesse processo de constituição desta ‘‘Comissão’’. Ou então, não se faça um discurso de que há participação interna na conformação do Vestibular da UEL.
- ALAMIR AQUINO CORRÊA é professor associado de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Estadual de Londrina e vice-presidente da International Association of Empirical Aesthetics Conselheiro da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa Brazil

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